Roy Hargrove é destaque na segunda noite do TIM Festival

Como uma antítese da geração dos young lions do jazz, músicos muito jovens de formação complexa e reverentes à tradição, o trompetista Roy Hargrove abriu a segunda noite essencialmente jazzística do TIM Festival 2006 com um show levemente funk, suingado e melódico, fundamentalmente baseado no seu disco Nothing Serious (Verve), lançado em maio deste ano.Hargrove foi o primeiro destaque na noite deste sábado, às 21 horas, apresentando-se com um quinteto muito jovem e de grande talento, o RH Factor - que inclui o pianista Gerald William Clayton, groovy, de dreadlocks no cabelo e toque suave, jobiniano; o baterista Montez Coleman, que bem poderia integrar o grupo The Roots, pelo peso de sua batida; e o baixista Joseph Sanders, a balança acústica de todo o conjunto; além do saxofonista (e eventualmente flautista) Justin Jay Robinson. Cool, usando um chapeuzinho de bookmaker, postando-se ao fundo do palco nos solos dos seus músicos, Hargrove imprimia um ritmo de bossa a canções de balanço metálico, como Camaraderie, The Gift e Trust, além de Crazy Race (do disco Distractions, também deste ano, lançado simultaneamente a Nothing Serious) com suporte dos fraseados de Robinson. Exímio melodista, Hargrove faz um jazz de grande modernidade, mas sem apelar à pirotecnia, a malabarismos ou fusões inapropriadas. Seu conceito atraiu muitos músicos e artistas jovens ao Palco Club, como a cantora Céu, um dos destaques da primeira noite do festival.AberturaA noite foi aberta às 20 horas pela jovem revelação do piano de São Paulo, André Mehmari, que se apresentou com um trio e tocou, além de quatro temas compostos por ele próprio, músicas de Chico Buarque, Milton Nascimento, Nelson Cavaquinho, Edu Lobo, Tom Jobim e Torquato Neto.Pela primeira vez desde sua criação, o festival conseguiu resolver o problema de acústica no Palco Club, que abriga os shows de jazz. Com impecável isolamento acústico, paredes até meio almofadadas, teto completamente vedado, o local (que fica perto da balada eletrônica, o Espaço Motomix) não sofre nenhuma invasão sonora das batidas externas.A organização do TIM Festival 2006 corria quase sem problemas até sexta-feira. Na madrugada de sábado, após o último show, o do cantor Devendra Banhart, houve uma grande fila de espectadores no lado de fora para apanhar táxis. Muitos tentaram furar fila, postando-se na pista ao lado do Aterro do Flamengo, o que provou um congestionamento por volta das 5 horas da manhã. A pista no sentido Copacabana-Aterro do Flamengo, onde está baseado o festival, na Marina da Glória, ficou congestionada numa extensão de mais de dois quilômetros por causa de uma obra na avenida, que afunilava o trânsito. Mas não houve problemas mais graves.

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