Rosa Passos faz homenagem a Elis e Tom no Teatro Fecap

Há mais de dez anos Rosa Passos vem fazendo homenagens a Elis Regina (1945-1982) no bis de seus shows e sempre inclui canções de Tom Jobim (1927-1994) no roteiro. Ao lado de João Gilberto, a cantora e o compositor são suas maiores influências, além do jazz e da bossa. Nos dois fins de semana em que vai ficar em cartaz no Teatro Fecap, a partir de sexta-feira, Rosa mergulha mais intensamente nessas homenagens. Os motivos são os aniversários da morte de Elis (25 anos na sexta-feira) e do nascimento de Tom (80 anos no dia 25). Dentro do que ela chama de "coincidências maravilhosas", vai interpretar canções do repertório de Elis nesta semana e clássicos de Tom na próxima. "Não quero dizer quais serão as canções do repertório de Elis, as pessoas vão reconhecer na hora", diz Rosa. "Desde a primeira vez que ouvi Elis, na adolescência, senti um impacto muito grande, pela ousadia melódica, por apostar em novos compositores, pela forma de interpretação densa, intensa, a técnica muito natural, pela divisão rítmica, pelo jeito de cantar samba. E pela modernidade de seu estilo, que estava muito à frente das outras cantoras." Elis foi "uma escola" para Rosa, em termos de estética, dinâmica, com o mesmo peso da sutileza de João Gilberto. "Consegui juntar as duas coisas e até hoje estudo tudo isso, ouvindo os dois, para filtrar e colocar da minha maneira. Ela me ensinou a ter ousadia, a separar os ritmos, ter uma integração total com a música e a letra." Quem ouve os CDs ou vê Rosa no palco, sabe quanto ela honra a herança de Elis em tudo. Tom a influenciou em sua porção melodista, compositora. "O tipo de música que ele compôs, as harmonias e melodias que criou, cheias de beleza, não envelhecem nunca", diz. "Sou muito cuidadosa com o que canto e sempre componho a partir de uma letra. Não dá para compor sem se preocupar com o conteúdo. E Tom também foi uma influência nisso, porque tem essas duas coisas juntas muito bem equilibradas." Por Causa de Você, Você Vai Ver, Fotografia, Águas de Março, Vivo Sonhando e Só Tinha de Ser com Você estão entre seus clássicos que ela vai cantar. No mais, os shows devem privilegiar o repertório do álbum Morada do Samba (1999) que Rosa diz ter divulgado pouco. Do mais recente, o ótimo Rosa (2006), entra apenas Jardim, versão em português para Jardin d?Hiver, da dupla francesa Keren Ann e Benjamin Biolay. Ao lado de Fábio Torres (piano), Paolelli (baixo), Celso Almeida (bateria), Vinícius Dorin (sax) e do próprio violão, Rosa também vai cantar Djavan, João Bosco, Ivan Lins e composições próprias em parceria com Fernando de Oliveira e Sérgio Natureza. Ela ficou cinco anos sem se apresentar em São Paulo e voltou com tudo em 2006. Pode apostar que agora vai arrebatar de novo. Rosa Passos. Teatro Fecap. Av. Liberdade, 532, (11) 3272-2277. De 5.ª a sáb. às 21 h., dom. Às 19 h. De hoje (18) a 21 e de 25 a 28

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