Roqueiros da terceira idade dão novo sentido a canções famosas

A imagem improvável de uma mulher de92 anos cantando aos berros "Should I Stay or Should I Go", doThe Clash, já cativou platéias em todo o mundo. Agora, a versãocinematográfica do espetáculo se prepara para fazer o mesmo. "Young at Heart" documenta um grupo de cidadãosnorte-americanos de terceira idade cantando músicas do SonicYouth, James Brown e outros artistas. O espetáculo nasceu numa cidade do interior e está emcartaz há 25 anos, mas agora se prepara para a famainternacional. "Criou-se um monstro", brincou o cineasta britânico StephenWalker em entrevista sobre o sucesso do filme. O filme começou como documentário da TV britânica em 2006 etornou-se favorito do público dos festivais de cinema de LosAngeles e Sundance em 2007 e 2008. A sequência inicial mostrando Eileen Hall, 92 anos naépoca, cantando o sucesso de 1982 do grupo de punk rock TheClash foi o que inspirou Walker ao ir no show do grupo emLondres, em 2005. "Fiquei fascinado", contou Walker. "Foi uma maneiraespantosa de enxergar a canção sob novo prisma. Ela passa a sersobre amor e morte, e não sobre relacionamentos." O diretor então passou vários meses filmando o grupo emNorthampton, Massachusetts -- com 30 mil habitantes --,enquanto seus membros se esforçavam para aprender letras queiam desde "Schizophrenia", do Sonic Youth, até "Yes We CanCan", de Allen Toussaint. O filme estréia nos EUA esta semana e dentro em pouco naFrança, Bélgica, Suíça, Alemanha, Japão e Austrália. CONTRA OBSESSÃO DA JUVENTUDE Além de dar novo sentido às letras de sucessos, o filme écômico e comovente ao tratar da amizade, velhice e morte. Para Walker, o filme atende aos desejos de uma sociedade"que está farta da cultura obcecada pela juventude e acelebridade". "As pessoas estão sentindo algo extraordinário", disseWalker, referindo-se ao fato de o filme ser ovacionado em pé emsessões de pré-estréia nos EUA. Bob Cilman, diretor musical do grupo há 25 anos, disse quea popularidade do filme mostra que o público quer ver maisidosos no palco e no cinema. "Quer seja Austrália, França ou EUA, todo o mundo éobcecado pela juventude, e nós vamos contra isso", disseCilman, 54 anos. "As pessoas aplaudem porque a cultura da juventude não é oque as pessoas querem, mas o que lhes é imposto." Stan Goldman, 78 anos, visto no filme cantando "I FeelGood", de James Brown, em dueto, disse à Reuters que o gruponão quer ganhar status de astros do rock. Pat Linderme, 77 anos, disse que o objetivo é simples:cantar e ser feliz. "A gente se envolve tanto no cantar queesquece o sofrimento", explicou.

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