Ron Carter toca no Bourbon Street

Quem já viu o baixista Ron Carter em cena garante que eficiência e modéstia também são suas marcas. Seu currículo é prodigioso, destacando-se seu papel como sideman de Miles Davis no fabuloso quinteto do trompetista, nos anos 60, e até colaborações com astros do hip-hop, como o grupo A Tribe Called Quest em seu trabalho The Low End Theory. Aos 67 anos, o gigante Carter (tanto em habilidade quanto em altura; tem 1m95) toca hoje em São Paulo, com o mesmo trio com o qual esteve aqui em 2004: Steven Scott ao piano, Payton Crossley na bateria e Steven Kroon na percussão. Não está lançando nenhum disco novo nem examinando algum legado especial do jazz. "Vou fazer um mix de standards, de clássicos do jazz e também de música brasileira. Tenho dois dias para decidir o que vamos tocar para vocês", disse, em entrevista ao Estado por telefone, de Nova York.Ele tem uma extensa folha de serviços prestados à música brasileira. Gravou com Milton Nascimento, Tom Jobim, Astrud Gilberto, Luiz Bonfá, Flora Purim e Airto Moreira, Edison Machado, Don Costa. Tem um disco, Orfeu (1999, gravado com um sexteto), inteiramente dedicado à sonoridade especial do País. Ele conta que suas inúmeras vindas ao Brasil (veio em dez ocasiões) não visam única e exclusivamente aos cachês. A curiosidade é musical: ele queria estar perto de uma música brasileira "não infectada" pela música americana, especialmente a dos percussionistas. "A percussão tocada no Brasil é completamente diferente daquela música ´brasileira´ que ouvimos nos Estados Unidos. Isso sempre me fascinou", diz.Ron Carter começou tocando violoncelo aos 8 anos, depois passou para o baixo. Difícil definir seu estilo, porque ele é um tanto mutante - tocou com George Benson e homenageou um mito do baixo nos anos 50, Oscar Pettiford (no disco Stardust, lançado pela Blue Note em 2002). "Acho que sou uma pessoa que pode fazer a música ir na direção que eu quero que vá. Sempre procuro fazer com que o grupo vá por um caminho que saia de sua rotina", afirma. Diz que, no momento, não tem definido o plano de gravar um novo álbum, está "sem pressa". Democrático, pode ser encontrado em discos de pop, mas não de hip-hop. "As pessoas envolvidas no hip-hop não sabem música realmente, embora seja interessante seu interesse por ela", diz. Ron Carter - Bourbon Street Music Club (450 lug.). R. dos Chanés, 127, Moema, 5095-6100. Hoje, 21h e 23h30. Couv. art.: R$ 120

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