Rômulo Fróes lança o CD "Cão" em show no Sesc Pompéia

O compositor Rômulo Fróes diz que sua maior pretensão "é mexer com a história da música brasileira a partir do samba, não da bossa nova, nem da tropicália". Com consciência artística, senso de atemporalidade, boas doses de experimentalismo e inspiração na sonoridade dos anos 70, ele avança consideravelmente nessa busca em "Cão" (YB), seu segundo álbum, que lança com show nesta quarta-feira no Sesc Pompéia.Preservando características essenciais do CD de estréia, "Calado" (2004), como a beleza melódica e a tristeza, "Cão" é um disco de transição, segundo Fróes. Reúne a guitarra pertinaz de Lanny Gordin, o violão 7 cordas não menos criativo de Zé Barbeiro, a bateria de Curumin, tão engenhosa quanto o baixo de Fábio Sá, que estarão no show com ele. Além dos músicos, o CD reflete a fusão de boas idéias do que Fróes chama de núcleo criativo de composição, ou seja, ele, Clima e o artista plástico Nuno Ramos.Fróes estava com disco pronto há um ano, até que no meio do caminho surgiu a oportunidade de fazer a direção musical do projeto Disco de Ouro (do Sesc Pompéia), dedicado a Acabou Chorare, que os Novos Baianos lançaram em 1972. Foi o estalo para ele voltar a ouvir os geniais discos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Jards Macalé do mesmo período. Não por coincidência, a guitarra de Lanny veio dali. "Mudei metade do disco depois disso", diz Fróes. "Tudo o que eu não queria era que o disco fosse antigo."Sem ser sambista nem exatamente profissional de música ("sou assistente de Nuno Ramos", diz), Fróes trabalha com a liberdade de trazer para o universo do samba elementos ainda estranhos a ele. Ou vice-versa, ainda que respeite a tradição de um Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, de quem regravou Mulher Sem Alma, a única antiga do CD predominantemente autoral. "Pode parecer meio maluco, mas não é um disco perdido, tem ligação pelas letras, pelo som." Em vez de saudosismo, o cheiro é de novidade. Rômulo Fróes. 12 anos.Teatro do Sesc Pompéia . Rua Clélia, 93, 3871-7700. Hoje, às 21 h. R$ 4 a R$ 12

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