Luan Cardoso
Luan Cardoso

Romulo Fróes faz do grandioso 'O Disco das Horas' um disco de amor e político

O Disco das Horas, lançado pela YB Music e Selo Circus, tem pompa; o show de estreia está marcado para 13 de julho, no Sesc Pompeia

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 06h00

“Ei, Romulo, estou te mandando uma coisa meio esquisita aí pra você ver o que faz.”

Com esse início enigmático, pingou o e-mail do artista plástico e poeta Nuno Ramos na caixa de mensagens do compositor e músico Romulo Fróes, em 15 de janeiro de 2017. Ali continham oito letras que poderiam se tornar canções, escritas por Nuno durante horas arrastadas numa conexão no aeroporto de Roma, na Itália. Em breve, viriam mais quatro músicas. Nuno propôs que se tratasse de um álbum no qual cada faixa significaria uma hora. Os arquivos com as letras traziam, como nome, somente um número: 1, 2, 3, 4, 5, e por aí vai. 

Fróes respondeu ao colega com quem já colabora há anos com a confirmação que havia musicado as narrativas criadas por Ramos em menos de dois dias. Mais uma data no calendário depois, vieram mais quatro restantes. Pela primeira vez, Fróes compôs sobre as letras de Nuno – o caminho era o inverso. “Só que o Nuno não sabe brincar e mandou uma 13.ª música”, conta, rindo, Fróes. A última foi transformada em canção pelo artista Clima, com quem o músico também colabora. 

E, com isso, em praticamente quatro dias, O Disco das Horas, título sugerido naquele mesmo e-mail enviado por Nuno Ramos, foi iniciado – depois dali, começou o processo de arranjos com sopros e naipes de metais, criados pelo saxofonista Thiago França, com quem Romulo Fróes caminha bastante próximo artisticamente – França, aliás, assina a direção musical do álbum. 

O Disco das Horas, lançado pela YB Music e Selo Circus, tem pompa. Além de já estar disponível nas plataformas digitais (YouTube, iTunes, Spotify, Deezer, Apple Music), também ganha uma versão em CD e vinil, com encartes caprichados e prateados, ambos criados por Julio Dui.

“É algo ambicioso”, avalia Fróes e segue: “Um disco independente, mas que foi feito como se a gente estivesse no auge da indústria fonográfica”. Para ele, a ambição – que inclui também ter dez músicos na banda – é uma reação a tempos de desesperança. “Uma resposta ao estado de precariedade no qual vivemos”, explica. É um disco que trata de política, desmantelamento social e falta de crença. “Fazer um disco, prateado, desse também é um ato político”, explica Nuno

Um dos sujeitos mais ocupados da música independente paulistana, Romulo Fróes lançou, somente em 2016, três discos: Rei Vadio (com canções de Nelson Cavaquinho), o registro de show Ao Vivo na Arena e O Meu Nome Não É Qualquer Um (realizado em dupla com o mineiro César Lacerda).

Trabalhou no mais recente álbum de Elza Soares (Deus É Mulher, lançado em maio) e, atualmente, é uma das figuras convocadas por Jards Macalé para seu novo trabalho realizado com o auxílio do edital da Natura Musical. “Depois de tantos projetos especiais, eu pensava em fazer um disco com uma formação de banda de power trio”, relembra. “E, então, chegou esse e-mail de Nuno.”  

Cada faixa também expõe o universo próprio de um casal, num universo próprio, de tesão, coxas e bocas – enquanto o mundo, do lado de fora, se desmantela. 

Está tudo misturado, como escreveu Nuno Ramos na sua proposta: “Seria um disco só de canções de amor. Acho que sempre quis propor isso a você. Vê aí”.

ROMULO FRÓES

Sesc Pompeia.

R. Clélia, 93, Pompeia, tel. 3871-7700.  

13 de julho (sáb.), às 21h30.  

R$ 6 a R$ 20. Vendas a partir de 3/7. 

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