Rolling Stones | Foto: Andres Stapff |Reuters
Rolling Stones | Foto: Andres Stapff |Reuters

Rolling Stones testam a própria imortalidade ao voltar ao Brasil dez anos depois

Grupo liderado por Mick Jagger e Keith Richards retorna ao Rio de Janeiro neste sábado, 20, no Maracanã

Pedro Antunes , O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2016 | 20h54

“Afinal, qual é o mundo que vamos deixar para Keith Richards?” A piada que circula em redes sociais tem lá sua verdade. Pode-se continuar com as citações por linhas e mais linhas, mas já é suficiente para entender a aura de imortalidade do guitarrista, cujos abusos até mais irreais poderiam ser verdadeiros de tão lendária que é a imortalidade do inglês de 72 anos. 

E a eternidade terrena de Richards é, de certa forma, compartilhada com os outros três integrantes dos Rolling Stones, Mick Jagger (também 72 anos), Charlie Watts (74) e Ronnie Wood (o mais jovem, com 68). Vigor para continuar na estrada, depois de mais de cinco décadas, o quarteto está mostrando que tem de sobra – mesmo que as turnês já não sejam tão abundantes quanto em outrora. E é com a América Latina Olé que o grupo retorna por essas bandas depois de dez anos. 

As pedras rolarão a partir deste sábado, 20, com a apresentação do grupo no Rio de Janeiro (Maracanã), seguindo para São Paulo (dias 24 e 27, no Morumbi) e depois para Porto Alegre (2 de março, no Beira-Rio). Os ingressos, cujos valores não eram baixos (eles variavam entre R$ 260 a R$ 900), estão quase esgotados. De acordo com o que a produtora T4F, responsável por trazer a trupe ao Brasil, informou na sexta-feira, 19, restam apenas ingressos para as duas apresentações de São Paulo na Cadeira Superior 3 do Morumbi, cujo valor é R$ 600. 

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Piadas relacionadas à imortalidade à parte, o tempo passou para Richards, Jagger e companhia. A década longe do Brasil cobrou seu preço, como era de se esperar. Na última passagem por aqui, o quarteto, cuja carreira iniciou-se no longínquo ano de 1962, se apresentou naquele que foi o maior show da história da banda, diante de 1,2 milhão de pessoas (outras fontes dizem que 1,5 milhão esteve presente naquela noite quente de 18 de fevereiro, na Praia de Copacabana). O repertório trazia 20 canções, duas a mais do que a atual turnê. Curiosamente, o bis continua o mesmo: formado por You Can’t Always Get What You Want, seguida de (I Can’t Get No) Satisfaction, dois dos clássicos absolutos dos Stones. 

Ainda assim, as previsões não eram favoráveis para o retorno dos Rolling Stones aos palcos. Depois da passagem pelo Brasil, o grupo seguiu nos palcos até o ano seguinte, em 2007, com o fim da turnê do último disco de inéditas da banda, A Bigger Bang (2005). E, por cinco anos, os Stones permaneceram inativos, ou quase. Falou-se de um retorno aos estúdios, o que era, em parte, verdade. Em 2012, quando a banda completou suas cinco décadas, foi lançada a coletânea GRRR!, com duas canções inéditas: Doom and Gloom e One More Shot. 

A América do Sul foi cogitada na ocasião, quando a turnê de aniversário foi anunciada, mas as datas nunca surgiram. Quatro anos depois da comemoração, enfim, a Olé chegou de fato ao território latino – e as canções mais recentes, tanto presentes na coletânea quanto de A Bigger Bang, provavelmente estarão fora dessa nova passagem pelo Brasil. 

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O roteiro dos Stones não é uma mutação constante, diferentemente do que ocorre com bandas como Pearl Jam, cujo repertório é um grande ponto de interrogação e no qual, muitas vezes, as canções mais populares são renegadas. Trata-se, afinal, de outro tipo de entretenimento. Um show com Jagger, Richards, Watts e Wood é como um filme blockbuster: tudo precisa ser impecável, do começo ao fim. Não precisa surpreender, ter reviravoltas mirabolantes. A precisão e as cartadas certeiras precisam estar ali. Não por acaso, das 18 canções dos shows – número seguido a rigor nas cinco apresentações dessa turnê –, 15 se repetiram em todas. Abriu-se espaço para canções votadas pelos fãs e aquelas nas quais Richards lidera os vocais. 

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A grande dúvida não está no que os Stones mostrarão nos palcos daqui e, sim, se voltarão para o Brasil alguma vez mais. Se depender da longevidade lendária do guitarrista, é provável que sim. Afinal, como dizem na web, “se o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, picar Keith Richards, quem morre é o inseto”.

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