Roger Waters explica o sucesso de <i>Dark Side of The Moon</i>

Empatia. Essa é a palavra com que Roger Waters definiria Dark Side of The Moon, um dos discos mais antológicos da história do rock, que ele traz para o Brasil, depois de shows pela Europa, EUA, e América Latina. Nesta sexta-feira, 22, Waters, um dos fundadores, compositores, baixista, cantor e voz controversa da banda inglesa, apresenta-se no Rio. No sábado, é a vez de os fãs paulistas reafirmarem sua devoção e mostrarem por que esse álbum de 1972 ainda é tão atual e necessário. Por que uma banda que, apesar de separada desde 1985, ainda arrasta devotos em todo o mundo? Que força estranha Dark Side exerce sobre as multidões, que já comparam mais de 40 milhões de cópias? Roger diz que a chave está na empatia. "É um disco sobre a capacidade que temos de ter empatia pelos outros, apesar das nossas diferenças políticas, econômicas, de raça, religião. Empatia é o que define como as nossas vidas estão todas unidas. É o que realmente importa. E é por isso que os fãs se identificam tanto." Os quatro cavaleiros (David Gimour, Nick Mason, Waters e Rick Wright)da antológica banda inglesa voltaram a se reunir em 2005 no beneficente Live 8, em Londres. Mas o feito não deve ser repetir. Waters, que fez acordo com os ex companheiros para poder montar o show, falou ao Estado: Os ingressos para seu show se esgotaram muito antes da data do show. A que você atribuiria tamanho apelo e a devoção que os fãs ainda têm pelo Dark Side e pelo Pink Floyd, não só os antigos, mas os novos fãs? O disco foi feito há muito tempo. Mas acho que o sucesso do Dark Side se deve ao apelo que ele tem com o público jovem, que não está interessado só na música, mas também no conteúdo das letras, no conteúdo político que as canções têm. Esse disco encoraja as pessoas a questionar muita coisa, a pensar com suas próprias cabeças. O que hoje é raríssimo. Cada vez mais a música vem processada e pronta para consumir. De fato. Confesso que eu não gasto muito do meu tempo hoje em dia ouvindo música pop. Por isso não posso fazer uma análise muito profunda. Diria que você tem razão. Normalmente eu não gosto muito do que tem sido feito. Não é que eu não goste de música, mas eu não estou muito interessado. Tenho mais o que fazer hoje em dia. Mas tenho certeza de que tem coisa boa sendo feita. Aliás, isso é outra coisa que explica o sucesso de Dark Side. As pessoas entendem isso sobre o trabalho que venho fazendo nos últimos 40 anos. Ele é confiável. As pessoas sabem que não há atuação. Há apenas o que sinto. Tento ser honesto. E sei que há mais gente assim fazendo música. Mas isso está em falta. As pessoas não são bobas. Elas podem sentir isso. E valorizam. Como você vai mostrar essa autenticidade e esse sentimento todo em um show para milhares de pessoas? Como não deixar isso se perder em meio à parafernália de um show com bonecos gigantes, telões, projeções? Esse é outro ponto importante. Vai ser um show dramático. Mas isso ocorre sempre. Da última vez que estive em São Paulo (2002) foi assim. Havia uma tempestade terrível e tivemos muita dificuldade de tocar. Mas conseguimos. Ao longo dos anos, o espetáculo ganhou dramaticidade. É muito teatral, mas também coerente. A primeira parte vai ter clássicos do Pink Floyd. E a segunda o repertório do Dark Side. E essa teatralidade está muito nos símbolos que vocês sempre trabalharam. Há quase uma sinestesia em Dark Side. Sim. Quando estava no Pink Floyd, introduzi a idéia de shows em grandes arenas, ao ar livre, porque é uma ótima maneira de se fazer rock. Usamos imagens projetadas, objetos. Mas essas coisas por si só não dizem muito. Elas representam o conceito. Não ligo para o espetáculo. Mas quando se toca em lugares grandes é preciso usar elementos visuais para fazer a conexão emocional entre nós e uma platéia imensa. Muitos perguntam se você e os outros Pink Floyds tocariam juntos de novo. E você disse que acha que não e que Gilmor deve achar que não seria boa idéia. Nunca disse isso. Por isso que estou perguntando para você. Para ouvir sua versão. A verdade é que eu acho que o Live 8 foi ótimo e fiquei realmente feliz. Ouvir nossas quatro vozes juntas de novo foi muito emocionante não só para nós mas também para o público. Ficaria muito feliz de tocar com eles de novo. Seria lindo. Mas não acho que vai acontecer porque acho que Dave não quer. É inconfortável para ele. Por isso acho que não vai acontecer. Seria lindo a gente junto de novo, mas tenho praticamente certeza que Gilmor não quer. Roger Waters. Estádio do Morumbi (73 mil pessoas). Pça. Roberto Gomes Pedrosa, 1, Morumbi, 6846-6000. Amanhã, 21 h. R$ 140 a R$ 500 (ingressos esgotados)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.