Rod Stewart passeia pelo jazz

Ex-coveiro, ex-manager de time de futebol, ex-paquerador incorrigível, ex-Rod the Mod, o cantor escocês Rod Stewart tem na voz uma marca inconfundível, com aquele som rouco, meio arfante e raspy, como dizem os ingleses. Emprestou toda vida esse seu registro incomum para o rock e o pop, mas agora ele veio com uma bela novidade: gravou It Had To Be You - The Great American Songbook (BMG), uma coleção primorosa de standards do jazz."Há muitos compositores daquele período para escolher, foi uma grande era romântica da composição", disse o cantor, em entrevista ao Estado por fax, na semana passada.Mergulhando num repertório que costumava ser exclusivo de George Gershwin, Frank Sinatra, Tony Bennett, Ella Fizgerald e Nat King Cole, o cantor se sai com uma obra original, permeada pela mediação de sua voz incomum. Quando pouco, ele atua como uma ponte entre uma coleção de canções do pré-Guerra e as gerações mais recentes.Entre as publicações de música, quase todas gostaram do álbum. Algumas detestaram, como a Rolling Stone, salientando que Rod interpretou sem emoção pérolas como You Go to My Head e These Foolish Things. E que os arranjos orquestrais foram óbvios, mas é justamente a contraposição entre o muito conhecido e o elemento estranho - a voz - que dá o brilho a esse disco. George Michael, por exemplo, experimentou e se deu bem com um disco parecido.Estado - Nos últimos 25 anos, você tem sido um cantor de rock. Por que gravar um álbum de standards agora?Rod Stewart - Eu queria gravar esse disco algum tempo atrás, e isso ia e voltava na minha cabeça por muitos anos. Quando eu era criança, minha família costumava cantar essas canções onde quer que houvesse uma celebração, aniversário ou Natal, na nossa casa. Então eu cresci com essas músicas e sabia que um dia as gravaria. E foi só agora que veio o tempo certo, que eu tive a coragem e o apoio de J. Records e Clive Davis.Qual a diferença, em sua opinião, entre cantar rock e velhas canções de jazz? Você precisa criar mais nuances, demonstrar mais conhecimento ou dor ao cantar jazz?Eu acho essas músicas fáceis de cantar, pelo simples fato de que eu as tenho cantado por toda a minha vida. De fato, eu posso lembrar as letras de algumas delas melhor do que posso lembrar de algumas canções que eu mesmo escrevi.Seu disco parece misturar imagens antigas com uma coisa moderna, impulsionada pela sua voz rouca. Foi essa a intenção?Sim, eu acho que minha voz empresta algo especificamente seu para essas canções.Por que você escolheu Phil Ramone, velho produtor dos duetos de Frank Sinatra, para trabalhar com você?Na verdade, eu comecei gravando sozinho. Antes de levar o material para Clive Davis, eu comecei a trabalhar com Richard Perry produzindo. Então, quando eu levei o projeto para Clive, ele veio com várias sugestões e uma delas era convidar o Phil Ramone para produzir algumas faixas. E isso foi excelente para o trabalho também.Como foi gravar com sidemen como Michael Brecker e Arturo Sandoval? Quero dizer: Sandoval foi parceiro de Joe Williams e Celia Cruz, por exemplo. Isso intimidou você?Na verdade, eu não estava no estúdio quando eles gravaram suas partes. Estava em turnê pela Europa, mas eu acabo de ver um especial de televisão em que eles tocaram e foi uma maravilhosa performance.

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