Alan, Noel e Jun, do Rock Rocket. Foto: Gabriela Biló/Estadão
Alan, Noel e Jun, do Rock Rocket. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Rock Rocket explora seus próprios limites no novo disco 'Citadel'

Ouça em primeira mão o quarto disco de estúdio da banda paulistana, inspirado nas referências garage e punk do passado mas com uma ligação intensa com questões contemporâneas

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 03h00

Desde 2002 caminhando entre o underground e o mainstream, a banda paulistana Rock Rocket está de volta com seu rock n’ roll inspirado no punk e no garage dos anos 1960 e 70, agora com uma cara mais contemporânea produzida por Guto Gonzalez ao novo disco Citadel - cujo lançamento digital ocorre nesta sexta-feira, 16, com exclusividade pelo portal do Estado (ouça abaixo).

É o quarto disco de estúdio da banda, que nos anos 2000 emplacou na MTV hits como Puro Amor em Alto Mar e Por um Rock n’ Roll Mais Alcoólatra e Inconsequente. A inspiração rebelde, que já vinha ganhando novos contornos desde o disco Rock Rocket III (2012), permanece, agora renovada. “Eu penso nesse punk que nos influenciou, dos anos 1970, como uma atitude rebelde, e isso continua, nem sempre relacionado a um posicionamento político”, diz o baterista Alan Feres em uma conversa do Rock Rocket com o Estado na Fatiado Discos.

O baixista Jun Santos, que grava seu segundo disco com a banda, diz estar entusiasmado com a produção do álbum, talvez a maior novidade de Citadel. “Temos as referências do passado, do velho e bom Rock Rocket, mas a ideia era atingir um público com essa nova pegada”, comenta. O vocalista e guitarrista Noel Rouco, que completa o trio, concorda. “Esse disco tem dois dedos do Guto (produtor), ele o tratou com muito carinho e empenho.”

As novas letras, mais do que antes, reforçam a relação da banda com a cidade de São Paulo – outra das questões contemporâneas que permeiam o álbum. Noturna Supernova (prima de uma nova psicodelia que parece cada dia mais latente no rock do século 21), Em São Paulo e Fatiado Discos são canções que dialogam diretamente com o concreto da capital – o título do álbum, emprestado de um projeto do fotógrafo Davilym Dourado, também deixa as coisas mais claras.

Mas é com Punk SP 80, composta por Feres (que divide os vocais na faixa com Ariel Invasor, ícone fundamental do punk rock paulistano da década de 1980), que o Rock Rocket bate o pé, presta sua homenagem definitiva ao movimento e consolida seu próprio lugar no rock nacional.

CITADEL (2015) - ROCK ROCKET - FAIXA A FAIXA

Os membros do Rock Rocket comentaram as faixas do novo disco na conversa com o Estado: as frases abaixo são resultado desse papo.

1 - Uma Luz no Fim do Túnel (Noel Rouco)

Última música feita, última a entrar no disco, "veio de uma vez só", segundo Noel

2 - Noturna Supernova (Jun Santos)

Um retrato particular de um rolê em São Paulo

3 - Em São Paulo (Noel Rouco)

Também sobre a noite paulistana, mas com uma abordagem diferente da faixa anterior

4 - Não quero mais saber (Noel Rouco)

Estilo Rock Rocket das antigas, com uma pitada de pós-punk

5 - Velhos tempos (Alan Feres / Igor Diniz)

Punk Rock tipo Johnny Thunders sobre coisas boas que aconteceram no passado e amizades sinceras (e um pouco sobre arrependimentos)

6 - Bonga (Noel Rouco)

Surf Rock instrumental e dançante

7 - Mamuska (Noel Rouco / Jun Santos)

Inspirada em uma amiga da banda que tem um campo hippie rocker em Paranapiacaba

8 - Fatiado Discos (Noel Rouco)

Inspirada no clima da "lojinha" antiga, que ficava na Rua Havaí

9 - Absurda (Noel Rouco)

Rolling Stones 74. Puro rock da montanha

10 - Punk SP 80 (Alan Feres)

"Essa cena me abriu os olhos para gostar de tudo, inclusive de Tim Maia", diz Alan. Ariel Invasor faz os vocais

Ouça o disco Citadel:

Crítica: Rock Rocket soa urbano e sujo em novo disco

Fatiado. “Eu fui na Fatiado Discos, tomar breja, escutar Pistols, é assim que vida me mantém”: os versos da música Fatiados Discos são uma espécie de homenagem à “lojinha” de Alan Feres que antes ocupava uma pequena garagem na Rua Havaí e no início deste ano se mudou algumas quadras acima. Agora, o amplo espaço na Av. Prof. Alfonso Bovero, 382, tem eventos diários de terça a sábado, com DJ set, cervejas especiais e hambúrgueres. Uma exposição (intitulada, também, Punk SP 80, com cartazes e fotos sobre o movimento paulistano) ilustra as paredes da loja até novembro. Outras das iniciativas recentes inclui um “jantar dos refugiados”, uma parceria com a Ocupação Leila Khaled, que abriga refugiados sírios e palestinos em São Paulo.

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