Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Rock in Rio: Walk the Moon é o exemplo de que, às vezes, o festival chuta bem longe do gol

Banda norte-americana se apresentou no palco principal, antes de Alicia Keys e Justin Timberlake 

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2017 | 22h03

RIO - É preciso fazer um aviso àqueles que entraram nessa resenha e não xingaram muito no Facebook, Twitter ou qualquer outra rede social qualquer antes de ler esse texto. Essas pessoas que tiveram como base o título escrito acima e só. Tudo, meus amigos, é questão de perspectiva, ok? 

Se você estava no um quarto de gramado em frente ao palco Mundo durante o show do Walk The Moon, certamente achará que o público vibrou horrores com a performance da banda norte americana. De fato, ali no gargarejo, o público recebia e respondia bem ao pop disfarçado de rock deles. Nos outros três quartos, contudo, não foi bem assim. Era um descaso só, ok? Gente sentada, deitada, gente bebendo, gente conversando, gente paquerando. 

O mesmo aviso vale para aqueles que assistiram à performance no conforto do sofá de casa, pela televisão ou computador. As câmeras, meus caros, não dão uma visão geral do que ocorre na Cidade do Rock. 

Portanto, se você chegou até aqui tem, pelo menos, paciência de ler essas palavras a respeito de uma banda que funcionou bem em uma apresentação à tarde no Lollapalooza do ano passado. Ali, seu dance pop se encaixou. Nicholas Petricca, o carismático vocalista do grupo, conquistou fãs e curiosos. Num evento da grandiloquência do Rock in Rio, neste domingo, 17, contudo, ele foi uma voz distante. Ouvida e, por muitas vezes, ignorada. 

Com exceção da música Shut Up And Dance, que chegou ao quarto lugar das paradas norte-americanas e obteve boa rotação nas rádios brasileiras, a reação ao que ocorria no palco foi apática. Shut Up é um pop puro. É um "cale a boca e dance", sem firulas. Funciona. Houve quem levantasse do gramado artificial para, bem, para dançar. 

Sem apoio massivo de fãs (prestou atenção ao uso da palavra "massivo", você que é fã e estava curtindo na beirada do palco?), o Walk The Moon foi um pênalti chutado com força, bem distante da meta adversária, direto na arquibancada, por parte do festival. 

Os rapazes são dançantes, embora se mostrem musicalmente problemáticos naqueles momentos nos quais soam mais pesados e graves do que deveriam. A questão é retorno de quem está ali embaixo, na extensa arena montada na Cidade do Rock. Ninguém faz um show decente para ninguém, afinal. 

Talvez a banda funcionasse melhor, no diálogo musical, com a noite de sábado, 16, quando se apresentaram Maroon 5 e Shawn Mendes. Ao compartilhar a escalação com atrações como Justin Timberlake, Alicia Keys e Frejat, soaram deslocados. Faltou aquela liga - o que, em um festival, é tão ou mais essencial quanto um punhado de boas canções radiofônicas.

 

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