JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Rock in Rio: Sol forte versus roupas escuras, jeans e coturnos

Público sofre com o calor implacável na Cidade do Rock no sábado, 19, se refresca como dá e busca sombra onde não tem

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 23h25

Um rapaz surge apressado, todoensopado, e conversa com a guria que parece ser sua namorada. “Você não vai ali no esguicho?”, perguntou. “Eu não! Vai estragar o meu cabelo”, respondeu a garota. Ele completa: “Você não sabe o que está perdendo”. O sábado, 19, não estava tão quente quando o dia anterior, que bateu recorde de calor no inverno, com 40º, mas ainda assim era implacável para a multidão de fãs de camisetas pretas, calça e coturno (sim, alguns deles acharam que era um boa ideia adotar o calçado pesado). 

O esguicho de água colocado logo na entrada principal da Cidade do Rock era a grande atração depois da caminhada sem sombra da estação de ônibus até o local do Rock in Rio. “Acho que vamos nos refrescar ali daqui a pouco”, conta Leila Castro, 28 anos, fã do Metallica, atração principal da noite. Ela e o namorado, Lucas Castro, chegaram cedo, às 15h, mas preferiram buscar uma sombra acolhedora em vez de enfrentar o sol no rosto para assistir ao Noturnall – cujo vocalista se estrebuchava com agudos do outro lado da Cidade do Rock naquele momento. “E ele ainda veio de calça jeans, acredita?”, diz a garota. “Não quis me ouvir. Agora está aí, passando calor.” 

Faltam, na arena montada para o Rock in Rio, locais com sombra para apaziguar o clima. É um descampado enorme, com seus palcos e lojas nos cantos. Mas caminhar com sol a pino não é tarefa fácil. Leila reclama da falta de locais para abrigar o público que chega cedo ao festival. Diferentemente de sexta, dia útil, no sábado a Cidade do Rock já estava bastante cheia antes mesmo do primeiro show da tarde, às 15h. Era fácil encontrar pessoas espremidas em fiapos de sombra criados pelas estruturas montadas na arena. 

Filas enormes começaram a se formar para que os presentes conseguissem garantir uma pulseira que os identificassem como maiores de idade, o que possibilitaria a compra da cerveja gelada que é vendida por todos os lados, ao preço de R$ 10. “Preferimos pegar essa pulseira logo”, disse Otávio Stefanini, de Vargem Grande do Sul, interior de São Paulo. Ele esteve no festival em 2013, no show do Iron Maiden, e já sabia que o calor costuma ser severo, mesmo no inverno. “A gente sua bastante, mas depois bate o vento e refresca”, garantiu Otávio. 

O chileno Mauricio Vilanueva, amigo dos integrantes da banda KroW, atração da Rock Street, não está muito preocupado com o calor. Ele, com uma camiseta do time de futebol Universidad Católica, feita justamente para refrescar atletas, não se sentia desconfortável com os 30º marcados. Sua mulher, esta sim, com a cor de roupa que o dia dedicado ao heavy metal merece, não dizia a mesma coisa. “Acho que logo mais vamos naquele esguicho refrescar um pouquinho.”

Mas fã de heavy metal, mesmo, não sente calor. Essa é a brincadeira de Danilo Marangoni, paranaense de Cianorte, que não só estava de camiseta preta como vestia um colete cheio de adereços da mesma cor. Barba grande e boné completavam o look “viking-indie-headbanger”. “Já estive no Rock in Rio 2013 e, naquele ano, o calor estava terrível”, relembra ele. Ao ver o público se refrescar nos esguichos d’água e com um copo de cerveja recém-adquirido na mão, ele garante: “Não sinto calor. Sempre usei preto”.

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