Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Rock in Rio: Ritmo que dá nome ao festival volta com força na segunda semana

Pop dançante de Justin Timberlake e Maroon 5 deu lugar às guitarras frenéticas de Alice Cooper e Scalene

Guilherme Sobota, João Paulo Carvalho, Pedro Antunes, Renato Vieira e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2017 | 01h15

Quem foi ao Rock in Rio na quinta-feira, 21, se deparou com um público completamente diferente do da semana passada na Cidade do Rock. Os looks mais justos e coloridos deram lugar às camisetas pretas e com estampas clássicas de bandas como Aerosmith, Def Leppard e Fall Out Boy, principais atrações do dia. O pop dançante de Justin Timberlake e Maroon 5, que ditou as regras do jogo na primeira parte do festival, foi substituído por vocais de agudos estridentes e riffs pesadíssimos. O rock, portanto, voltou a ganhar força e foi muito bem representado por Alice Cooper, The Kills e a banda brasileira Scalene.

Como era esperado, o Aerosmith fez uma grande apresentação. Na primeira parte do show, o grupo de Steven Tyler enfileirou um hit atrás do outro, estabelecendo uma conexão por meio da memória afetiva. Let The Music Do The Talking abriu os trabalhos, com destaque para a performance do guitarrista Joe Perry. Na sequência ainda vieram Love In An Elevator e Cryin’.

O dia, entretanto, não começou muito bem para os jornalistas que foram até a Cidade do Rock. A sala de imprensa ficou fechada das 13h às 16h30 para a realização de uma manutenção. Segundo informações da organização do evento, o local passou por uma vistoria. A assessoria de imprensa do Rock in Rio não deu mais detalhes sobre o problema ocorrido. Do lado de fora, fotógrafos, cinegrafistas e repórteres reclamavam da falta de estrutura e da dificuldade para iniciar os trabalhos. Muitos, inclusive, não foram informados sobre o que estava acontecendo. Parte da imprensa foi levada para a área VIP do festival enquanto tudo era resolvido.

E esse não foi o único problema registrado. A montanha-russa, uma das atrações mais procuradas pelo público, apresentou problemas no ínicio da noite. Quatro pessoas foram retiradas do brinquedo por meio de um guindaste. Não houve feridos. Segundo a assessoria, uma falha em um dos carrinhos gerou toda a confusão. Até o fechamento desta edição, a montanha-russa passava por testes de manutenção para voltar a funcionar na Cidade do Rock.

Problemas à parte, é raro um show do segundo palco, o Sunset, destinado a encontros musicais, ser mais esperado pelo público do que os do Palco Mundo. Nesta quinta-feira, 21, todavia, foi assim com Alice Cooper, que, na edição de 2015, estava no palco principal com o Hollywood Vampires. Essa foi a maior concentração diante do Sunset em quatro dias de Rock in Rio. Tendo Arthur Brown como convidado, o rei do shock rock, aos 69 anos, desbancou as bandas mais jovens Scalene e Fall Out Boy, que antecederam o Def Leppard e o Aerosmith no Mundo, e incendiou o Sunset misturando em seu caldeirão performático ingredientes que divertiram iniciados e perturbaram os desavisados: som (baixo) e maquiagem (caprichada) pesados, encenações macabras e clima de pesadelo e horror no ar. O público, formado por cinquentões que acompanham as apresentações teatrais de Cooper há décadas e jovens curiosos, vibrou com os clássicos No More Mr Nice Guy, Under My Wheels, Only Women Bleed e Poison.

Um pouco mais tarde, já no Palco Mundo, o público viu o Fall Out Boy fazer um show morno. Com 16 anos de existência, o grupo, liderado por Partrick Stump (voz e guitarra) e Pete Wentz (baixo), acertou em cheio na nostalgia. Canções como Dance, Dance, This Ain’t a Scene e It's a Arms Race, por exemplo, provocaram uma catarse naqueles que estão lidando com a dura chegada dos 30 anos. Eles revisitaram momentos de tristeza e euforia na adolescência de muitos que assistiam ao show.

O Def Leppard, que se apresentou às 22h30 no Palco Mundo, tinha uma difícil missão: tentar quebrar o encanto de Alice Cooper e preparar o terreno para a principal atração da noite, o Aerosmith. Muita gente circulava pela Cidade do Rock quando eles subiram ao palco e isso não era um bom sinal para a banda inglesa. Conhecida por uma sensibilidade nem sempre pertinente ao heavy metal, a banda voltou ao Rock in Rio depois de cancelar sua participação em 1985. Olhando do fundo, o público agia com alguma indiferença, mas a banda fez um som de heavy metal temperado de anos 1980. Colocada numa posição desconfortável do line-up, o Def Leppard pagou a dívida com o Rock in Rio. Pour Some Sugar On Me é realmente irresistível, mas fica a dúvida se alguém diferente do fã fervoroso vai se lembrar desta apresentação daqui a um ano ou dois.

Já o Scalene, que abriu o Palco Mundo, se complicou quando tentou executar ao vivo as músicas do novo disco, Magnetite. Os brasilienses dedicaram uma boa fatia do show ao repertório do trabalho mais atual. A plateia, entretanto, não entendeu bem a atual proposta do grupo.

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