Rock in Rio não cumpre seu lema

Passados 67 dias do encerramento do terceiro Rock in Rio, surgem dúvidas sobre o aproveitamento do lema do festival, que era Por um Mundo Melhor. O slogan justificava-se por diversos projetos sociais relacionados ao festival, que seriam mantidos ou iniciados com 5% da renda total do evento.Segundo Denise Assis, assessora de imprensa da Unesco no Rio de Janeiro, a entidade - que, em tese, deveria ser uma das beneficiadas pelo programa - não recebera nada até hoje. Segundo a Assessoria de Imprensa da Artplan, empresa que organizou o festival, a verba que seria repassada para a Unesco deveria ser entregue pela Associação Viva Rio nos próximos dias.De acordo com a Assessoria de Imprensa, parte da meta do festival (que era chegar a 11,5 mil jovens atendidos pelos programas sociais) não foi atingida por falta de participação da população. Segundo a Assessoria, as doações via 0800 foram nulas.A organização do evento informou que mais de 2 mil jovens estão se formando neste momento no Rio de Janeiro, em salas de aula de Rio das Pedras, Rocinha e Leblon, com recursos e ações da Artplan. "É impressionante que uma empresa particular e de porte pequeno como é a Artplan faça tal ação e ainda seja criticada pela mídia", escreveu Beth Garcia, assessora da Artplan, em comunicado à imprensa. "Este é um exemplo único que deveria ser seguido pelas grandes instituições que arrecadam bilhões de impostos."Segundo a Assessoria, os 2 mil jovens que estão se formando tiveram aulas mantidas com recursos da ordem de R$ 2 milhões, repassados à associação Viva Rio pelo Rock in Rio. Beth Garcia vê correlação entre o aumento do porcentual de jovens no 1.º grau no Rio de Janeiro e o programa de educação do Rock in Rio. De acordo com ela, antes do festival o Rio tinha 49% de jovens no Estado sem educação de 1.º grau. Após o festival, esse número teria caído para 41%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.