Fabio Motta
Fabio Motta

Rock in Rio: Maroon 5, na função de substituto de Lady Gaga, é a prova da transformação do pop

Banda encerrou as atividades do Rock in Rio ao substituir a cantora norte-americana, nesta sexta-feira, 15

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2017 | 01h50

RIO - Roberto Medina, criador e organizador do Rock in Rio, vai poder deixar a cabeça no travesseiro tranquilo na noite desta sexta-feira, 15, para o sábado. 

A noite de quinta não deve ter sido fácil. Na véspera do início do Rock In Rio, Lady Gaga, a principal atração da primeira noite de festa, cancelou a sua participação. De última hora, foi chamado o Maroon 5, banda que também é a headliner do sábado, 16. 

E o repeteco foi criticado. Fãs da Gaga torceram o nariz. Não gostaram, não, da substituição. Embora ambos artistas caminhem pelo pop, eles trafegam por vias muito, mas muito distintas. Falta, ao Maroon 5, a capacidade de atingir um público muito específico da Gaga, os Little Monsters, como seus fãs mais fervorosos e numerosos são chamados. 

O Maroon 5, no universo do pop de hoje, é mais genérico. E não entenda isso como algo ruim. A banda de Adam Levine é apenas mais abrangente. Porque tocam em todas as rádios. Porque cantam de amor. Porque fazem dançar. É fácil curtir um show do Maroon 5. Não há riscos a correr. 

É claro que a voz de Adam Levine, extremamente aguda nos registros de estúdio não é igual no palco. Também falta pegada à banda no palco. O som soa frouxo - falta o grave para contrabalancear, meus caros. 

Mas o Maroon 5, a banda mais camaleônica do pop da atualidade, é sagaz justamente nessa capacidade de se transformar. No mesmo show, eles são capazes de dar início à apresentação com Moves Like Jagger e, na sequência, This Love - um pop descaradamente dançante e uma baladinha de amor. 

É dessa forma que o Maroon 5 se adapta aos tempos - e, por vezes, se adianta ao tempo. Com a ideia de antecipar as tendências, o Maroon 5 mais acerta do que erra. Absorve a sonoridade dos anos 1980 - principalmente a bateria com eco -, ignora a guitarra e abusa do carisma do seu vocalista. 

Até mesmo quando Adam Levine decide mostrar uma versão tortinha, porém fofinha, de Garota de Ipanema, as coisas funcionam para eles. Não importa o clichê, não importa a falta de molejo para a bossa, o Maroon 5 é capaz de arrancar aplausos. 

Não eram titulares, os integrantes do Maroon 5, mas mesmo com time misto, o Rock in Rio se saiu vencedor na primeira noite. Pode relaxar, senhor Medina. 

 

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