AFP PHOTO|PATRICIA DE MELO MOREIRA
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Rock In Rio Lisboa tem início com lembranças de terras cariocas e o carisma de Bruce Springsteen

Festival nascido no Rio em 1985 já é mais lisboeta do que carioca

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2016 | 03h00

LISBOA - Se havia alguma dúvida de que o Rock In Rio trazia um pedaço do Brasil consigo para sua edição lusitana, as batidas de funk e os gritos de "tá tranquilo, tá favorável", um improvavelmente contagiante hit de MC Bin Laden, deixou todas os questionamentos para trás. O festival nascido no Rio de Janeiro, em 1985, já é mais lisboeta do que carioca, afinal a edição iniciada nesta quinta-feira, 19, é a sétima a ser realizada no Parque da Boa Vista contra as seis versões organizadas em casa. Ainda assim, o evento criado por Roberto Medina há 31 anos não abandona as raízes brasileiras.

Pelo contrário, ele se vende desta forma. A Rock Street, espaço com quitutes e bugigangas para se comprar, traz em seu palco atrações totalmente brasileiras. Serjão Loroza e Mart'nália exploraram o cancioneiro carioca, com sua malandragem e molejo muito próprios, enquanto o outro lado do parque é invadido pelo batidão do funk em um espaço com um pequeno palco e dançarinos chamado Yorn Bundalicius. 

Prioritariamente, contudo, o Rock In Rio sobrevive da sua capacidade de transformar um festival de música em um agradável passeio ao shopping a céu aberto, com opções como dar uma volta em uma roda gigante, um mergulho em uma piscina, fazer compras, e ouvir música ao vivo para gostos variados. A peça central do festival é trazer uma grande e apoteótica atração para encerrar os trabalhos e deixar a boa impressão. 

Na noite de abertura do Rock in Rio Lisboa, Bruce Springsteen, o mestre do rock da classe trabalhadora, mostra o motivo de ser um dos queridinhos de Medina a ponto de ser um dos favoritos do chefão do festival a voltar ao Rio de Janeiro na edição do ano que vem. Rock enérgico, tão cheio de vitalidade quanto o próprio músico de 66 anos. 

O cardápio da primeira noite no palco principal também incluiu Xutos & Pontapés, tradicional banda portuguesa no posto segunda atração mais importante da noite, atrás apenas do Boss, o pop rock farofento Stereophonics e o Rock in Rio - O Musical. 

The Boss, acompanhado de sua tradicionalíssima E Street Band, é a potência muscular em forma de música. Dono de um carisma e uma simpatia que pouco se vê por aí, seja em artistas novos ou veteranos, Springsteen conduz o público, um número estimado em 65 mil, com facilidade impressionante. Sua atual turnê traz de volta o repertório do disco clássico The River, que completou 35 anos em 2015. Ele só não executa o álbum na íntegra porque tomaria 20 canções do seu repertório que gira em torno de pouco mais de 30 faixas executadas em três horas de duração. É preciso abrir espaço para canções como No Surrender e a ótima My Love Will Not Let You Down. 

A homenagem a um disco clássico, nesta noite de lua quase cheia e brilhante posicionada acima do Palco Mundo, é um resgate direto à memória daqueles que o assistiram no Rock In Rio carioca em 2013, quando o Chefe percorreu o também clássico Born In The U.S.A., do começo ao fim. Até nisso, a versão lisboeta do festival resgata da terra natal. E, convenhamos, com Bruce no palco, o tiro é certeiro. 

O repórter viajou a convite do festival 

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