Rock in Rio| Divulgação
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Rock In Rio Lisboa: Boogarins hipnotiza portugueses com psicodelia tropical entre rasantes de aviões

Sol forte da tarde desta sexta-feira, 20, atrapalha bandas portuguesas contemplativas Pista e Sensible Soccers

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

20 Maio 2016 | 18h53

LISBOA - O clima em Lisboa pode pregar suas peças. Quando Bruce Springsteen executava Twist and Shout, um cover clássico dos Beatles, na penúltima música da apresentação do primeiro dia de Rock in Rio Lisboa, na última quinta-feira, 19, as temperaturas no Parque da Bela Vista oficialmente estavam na casa dos 10 graus, embora a sensação térmica fosse ainda menor, graças ao vento frio que cortava o vale formado de forma natural em frente ao palco Mundo, o principal do festival carioca já estabelecido na capital portuguesa. 

Na sexta, 20, a história foi bem diferente. Às 17h de uma ensolarada tarde de primavera, o termômetro alcançou os 28 graus. Nenhuma brisa vindo de um lado ou do outro. As poucas sombras espalhadas em frente ao Palco Vodafone, o secundário do festival, dedicado à música independente, eram razoavelmente povoadas, enquanto o restante do espaço era somente um gramado queimado de sol. 

Pior para a primeira banda do dia, escalada para abrir o espaço. Pista, um quarteto português com poucos vocais e muita energia no palco, tocou para meia dúzia de fãs e curiosos mais animados. O restante preferiu testemunhar a divertida tropicalidade lusitana, desenhada em acordes e riffs solares, cuja certidão de nascimento vem lá da América Latina. 

Do mesmo problema sofreram os também portugueses que integram o Sensible Soccers, cuja estética contemplativa e estéril torrou como as cabeças dos mais aventureiros a se arriscarem debaixo do forte calor lisboeta. O grupo tentou semear alguma dose de psicodelia, mas colheu poucos aplausos. À noite, seria perfeito. No horário estipulado, a banda foi prejudicada pela luz direta demais, totalmente em contrastante com o som indireto dos luso. 

Era dia, mesmo, do Boogarins. A trupe goiana estreou em um grande festival, com esse caráter mais pop, com a mesma boa vibração das apresentações mostradas no Brasil. O público português, já conhecido de outras turnês, vibrou com eles mais do que o fez com os atos anteriores a tomarem o espaço, incluindo as três performances da tarde anterior. 

É claro que o calor dissipado e o sol já prestes a se esconder ajudaram a criar atmosfera ideal. A compreensão entre banda, com os vocais ecoados de Dinho Almeida e a guitarra sempre lisérgica de Benke Ferraz, e público se mostrou única. Em longos loopings, pausas e sessões instrumentais longas, o Boogarins hipnotiza pelo som. Os rapazes emendam praticamente uma faixa na outra, como se pegassem na mão de cada um dos presentes e os levassem para uma viagem ininterrupta pelos caminhos sinuosos e multicoloridos daquela psicodelia que brotou do Centro-Oeste do País. Aridez e luz, pintadas ainda pelo baixo de Raphael Vaz e a bateria cada vez melhor de Ynaiã Berthroldo. 

Passam-se canções dos dois discos do grupo, As Plantas que Curam, como Infinu e Lucifernades, e o recente Manual ou Guia Livre da Dissolução dos Sonhos, como 6000 Mil Dias. Boogarins e seu entorno estavam em sinergia tamanha que determinada pausa da banda, em uma quebra para o retorno da mesma música, foi tempo exato para a passagem de um avião passar rasante sobre o palco Vodafone. Dinho sorriu, como se fosse combinado. Não era. Mas poderia ser. 

* O repórter viajou a convite do festival 

 

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