Rock in Rio investe no Social

Um bom publicitário precisa "vender" bem uma idéia. Ainda mais quando se trata de oferecer para anunciantes um megaevento de rock, que poderia estar ligado à imagem de sexo e droga, como nos anos 60. A estratégia bolada por Roberto Medina, organizador do Rock in Rio, foi mostrar aos potenciais interessados no patrocínio que essa seria uma proposta de negócio diferente. O nome é Rock in Rio - Por um mundo melhor, com toda uma proposta social, filantrópica, de paz, de pensar o futuro, além da zoeira de diferentes tribos de som."Não queria que fosse feita uma doação no fim do evento. Começamos desde o lançamento, trabalhando por essa proposta por um mundo melhor", conta Roberto Medina. Pode parecer discurso de marketeiro, mas tem tudo para se acreditar. Há vários anos, o publicitário - que é dono da empresa Artplan, irmão de deputado federal e tem uma vida financeira folgada - foi sequestrado. Ficou dias no cativeiro e hoje se orgulha de poder pensar em um projeto social voltado principalmente para quem tem de 17 a 29 anos."É a idade de risco. Quando os jovens podem acabar migrando para o lado errado", diz Medina. Já estão sendo atendidos 2,1 mil jovens pela ONG Viva Rio em várias favelas do Rio. Eles estudam, têm treinamento em computadores e podem ser encaminhados para um emprego. Foram montadas 38 salas de informática e outras 40 serão lançadas. Tudo com parte da renda da terceira edição do Rock in Rio. Esse discurso atraiu muitos dos anunciantes. Como a GE do Brasil e o Itaú, que também se preocupam bastante com os trabalhos sociais."Acabamos de lançar a Fundação Itaú e não poderíamos ficar de fora desse evento", revelou Jaime Chaves, diretor de marketing estratégico do Itaú, que não revela, entretanto, os investimentos para ser o banco oficial da cidade do rock.Voluntários - A GE cuidará de todo o projeto de luz do evento, incluindo 3 mil lâmpadas, 400 luminárias e vários projetores. A expectativa da direção da empresa é aumentar as vendas em cerca de 2% este mês por conta da exposição que o Rock In Rio dará. Mas não é só nisso que a multinacional está pensando. "Nossos funcionários já fazem trabalho voluntário. Quando soubemos da proposta social do evento, concluímos que não poderíamos ficar de fora", conta Michele Paoli, gerente geral da GE Brasil.Roberto Medina assegura que o objetivo de tanto trabalho não é apenas encher mais os bolsos. "O lucro deverá ser de algo em torno de R$ 4 milhões a R$ 6 milhões. Mas vamos fazer muitas ações sociais", revela. O custo total do evento deve ficar em R$ 70 milhões, 35% a mais do que o segundo Rock in Rio, realizado em 1991.A boa notícia é que toda a infra-estrutura, com várias tendas, bares, dois shoppings e até um minihospital não será desmontada quando o rock se calar. O dono do gigantesco terreno - apenas o gramado equivale a área de 12 estádios do Maracanã - , o empresário de construção civil, Carlos Carvalho, decidiu que a área ficará montada por mais tempo.Poderá ser alugada, por exemplo, para novos shows. Depois do susto do tumulto do jogo de futebol do Vasco e São Caetano, no Rio, que resultou em 150 feridos e do turista paulista morto no réveillon da Praia de Copacabana, os organizadores garantem que não estão economizando com segurança e logística.A Unimed da cidade do Rio está investindo R$ 1,4 milhão para garantir o atendimento a qualquer emergência. "Fizemos várias previsões com padrões internacionais de grandes eventos. Estamos preparados para atender com folga mais que o dobro dos possíveis atendidos", assegura Virgínio Sanches, superintendente de comunicação corporativa da Unimed-Rio. Por essas previsões, poderiam ser atendidos 1,5 mil pessoas por dia, mas a estrutura montada dá para atender até 4 mil pessoas por dia. A coordenadora do socorro tem experiência em catástrofes: fez curso com o Exército de Israel.

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