Vanderlei Almeida/AP
Vanderlei Almeida/AP

Rock in Rio começa com atrasos, problemas no som, e shows mornos

Expectativa é grande para as principais atrações da noite; Katy Perry, Elton John e Rihanna sobem no palco do festival ainda hoje

Lucas Nóbile, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2011 | 20h05

A quarta edição do Rock in Rio no Brasil teve início, com atraso de vinte minutos, no Palco Sunset, o secundário, criado com o intuito de promover encontros entre artistas de linguagens semelhantes ou completamente diferentes. O primeiro dia deste palco - sempre com previsão de receber quatro shows diariamente - teve um saldo negativo: tanto no quesito equalização quanto no musical.

 

O atraso, lamentavelmente, foi causado por problemas técnicos no som, algo inaceitável para um festival de tal magnitude como o Rock in Rio, que até aqui tem se mostrado exemplar em todos os outros aspectos de organização. Mas a produção parece ter se esquecido justamente do principal, o equilíbio sonoro (em todos os sentidos) e a curadoria equivocada. Para se ter uma ideia, durante a apresentação de Bebel Gilberto e Sandra de Sá, um senhor quase pulou a grade dos técnicos de som, gritando: "você não estão percebendo que o som está vazando? Não dá para entender nada do que está sendo cantado!"

 

 

Os trabalhos foram abertos às 15 h, com show da Orkestra Rumpilezz, de Salvador, capitaneada por Letieres Leite, Móveis Coloniais de Acaju e Marian Aydar. O destaque do show foi o grupo baiano, com seus temas criados a partir dos toques de candomblé, mas todos os quase 30 músicos (entre Rumpilezz, Móveis e Mariana) que subiram ao palco foram extremamente prejudicados pelos problemas técnicos, como microfonias, ao longo de toda a apresentação.

 

O atraso de vinte minutos causou um efeito cascata, refletindo em todas as apresentações da noite, que foram inevitavelmente retardadas, mesmo com as desmontagens e montagens dos palcos fossem ligeiras e eficientes.

 

Depois do primeiro show, foi a vez da mistura entre Ed Motta, Andreas Kisser e o português Rui Veloso. Com uma formação de cinco guitarras, baixo, bateria e vocal, os músicos jogaram para a plateia e resgataram clássicos do rock, com um repertório que contemplou Beatles, Eric Clapton, Led Zeppelin, entre outras lendas, mas não convenceram absolutamente ninguém. Qualquer banda de covers faria um show igual.

 

 

Aliás, essa foi a tônica do Palco Sunset em seu primeiro dia de Rock in Rio, um cenário com cheiro de naftalina, abusando de interpretações de canções batidas. Foi o mesmo que se viu no show de Bebel Gilberto e Sandra de Sá. As duas - que se conheceram por intermédio de Cazuza - fizeram um apresentação ancorada nos sucessos do compositor, como "Ideologia", "Todo Amor que Houver Nessa Vida" e "Brasil". Todas praticamente assassinadas pela desafinação e a falta de carisma de Bebel, que ainda aniquilou a clássica "Sun is Shining", de Bob Marley. Uma apresentação patética, que só foi salva pela energia de Sandra de Sá, cantando clássicos de sua carreira, como "Joga Fora no Lixo" e "Olhos Coloridos". Além disso, a dupla interpretou temas de Adriana Calcanhoto e O Rappa, mas não chegou a levantar a plateia diversificada, com muitas famílias, jovens e pessoas de diversas partes do País, exibindo bandeiras de Pernambuco e de times, como do Remo, do Pará.

 

O Palco Sunset encerrou suas apresentações com um show muito mais curto do que o esperado dos dinamarqueses do Asteroids Galaxy Tour com os portugueses do The Gift, devido aos atrasos anteriores. É esperar que os próximos dias de Palco Sunset, que até aqui nada acrescentou, melhore suas performances. O público não é surdo nem bobo para ser enganado como foi no primeiro dia.

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