Larissa Dare
Larissa Dare

Rock in Rio chega a sua oitava edição em Lisboa

Anitta, Anavitória, Ivete, Emicida, Rael, Katy Perry, Bruno Mars e Muse são as principais atrações do festival

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2018 | 06h00

RIO - Vinte e três anos de idade, três de carreira, pelo menos três sucessos absolutos. Ana Clara Caetano Costa e Vitória Fernandes Falcão viram “um filme passar na cabeça” quando receberam o convite para cantar no Rock in Rio Lisboa, cuja oitava edição começa hoje. Depois de gravar seu hit Trevo (tu) com o cantor português Diogo Piçarra, e de tocar na capital portuguesa e no Porto ano passado, o duo Anavitória é atração nesta tarde do Music Valley, espaço alternativo que é novidade no festival.

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“Quando a gente recebe uma notícia bizarra como essa, sempre dá aquele frio na barriga. É um palco grande. Foi a maior alegria do mundo! Não tenho medo, só curiosidade. Há três anos a gente estava começando o projeto, e não esperava nada disso”, contou Ana, a compositora da dupla, por telefone, a duas semanas da viagem. “Que o nosso som chegue ao máximo que puder chegar”, completou Vitória.

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De Araguaína, no Tocantis, a Lisboa, com escala pelas rádios e trilhas de TV, com Fica e Agora Eu Quero Ir, além de Trevo (tu), as jovens de voz doce, postura cool e fina estampa tiveram encontros musicais os mais diversos, com Tiago Iorc (o padrinho profissional), os sertanejos Matheus & Kauan, o rapper Projota e Nando Reis. Elas chegaram a Diogo Piçarra por conta da gravadora comum, a Universal.

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Piçarra, abertura do Palco Mundo hoje, antes do Haim, Bastille e Muse, ganhou o Ídolos português em 2012, e desde então se firmou no cenário da música pop lusitana. A parceria com Anavitória o aproxima do Brasil, um mercado difícil para artistas portugueses, assim como ajuda na divulgação da dupla brasileira por lá.

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“Diogo é um artista muito grande, a gente não conhecia o trabalho dele e ficou encantada, maravilhada. Começou mais voz-e-violão, no Ídolos, depois foi para um caminho mais pop”, apontou Ana, entusiasmada com a chegada a uma vitrine internacional da dimensão do Rock in Rio. Na edição carioca do festival de 2017, as jovens vibraram assistindo a Fergie, Shawn Mendes e Alicia Keys.

O músico Zé Ricardo, que divide com o português Arthur Peixoto a curadoria do Music Valley, um espaço que promete 14 horas de música e “de festa non stop”, conta que a escolha da dupla se deu por seu potencial de crescer aos ouvidos lusitanos. Amanhã neste mesmo palco, Emicida e Rael se encontram com as portuguesas Capicua e Sara Tavares.

Zé Ricardo considera que já não é verdade que os portugueses são bons conhecedores dos artistas brasileiros. “A gente entrava em Portugal por causa das novelas. Foi assim com Caetano, Gil, Ney, Djavan. Mas vieram as novelas portuguesas e isso mudou, eles não sabem o que temos de novo. Com letra, conteúdo, uma levada folk, Anavitória é o tipo de som que tem tudo para estourar em Portugal, apesar de toda a dificuldade dessa entrada”, avaliou.

“Vamos levar o show da nossa turnê. Fomos em 2017, fizemos quatro shows para lançar o CD”, celebrou Vitória. “A música brasileira é bem-vinda em Portugal. Recebemos vários vídeos de pessoas cantando nossas letras, com aquele sotaque mais lindo do mundo.”

Lisboa foi 'janela para o resto do mundo', diz Medina

Quando o Rock in Rio foi lançado na capital portuguesa, em 2004, três anos depois de sua retomada carioca, o nome Rock in Rio Lisboa soou confuso, uma aparente contradição geográfica. Sete edições depois, a experiência lisboeta se provou um trampolim para o festival, aos olhos de seu criador, o empresário Roberto Medina - o evento já aportou também em Madri (2008, 2010, 2012) e Las Vegas (2015). A partir de hoje, 23, serão quatro dias de shows na Cidade do Rock lusitana.

“Lisboa nos abriu portas. O mercado internacional na área de eventos estranhamente é muito primário em relação ao que a gente fez no Brasil desde 1985. O Rock in Rio nasceu extremamente sofisticado”, diz Medina, 33 anos depois da edição original. “Em 2004, o mercado português era deprimido. Um patrocínio de grande evento era € 600 mil. A nossa primeira captação foi de € 13 milhões.”

O público esperado no Parque da Bela Vista, onde foi montado o “parque temático da música e do entretenimento” do Rock in Rio, é de 80 mil pessoas por dia (um pouco menor do que o da última edição no Rio, em 2017), o que não deve ser afetado pelos jogos da Copa do Mundo. Os headliners são Muse, Bruno Mars, The Killers e Katy Perry. No Palco Mundo, estarão também portugueses e as brasileiras Anitta, amanhã, e Ivete Sangalo, dia 30 (a baiana participa desde 2004).

A oferta de shows e serviços se parece com aquela a que o público carioca está habituado: são cinco palcos com shows, arena de games e espaço gastronômico, entre outras atrações. “Antes, a definição das bandas motivava as pessoas a ir. Hoje é tudo muito parecido, e poucas bandas enchem o festival”, analisa Medina. “O Rock in Rio Lisboa cresceu muito. Vivi aqui quatro anos, e três em Madri. Empresarialmente fui muito bem, mas era triste. Quero o aplauso do brasileiro.”

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