Rock in Rio busca novos espaços e inovação com a promessa de se diversificar

Com a maior Cidade do Rock da história, no Parque Olímpico, e ingressos ainda disponíveis para alguns dias, o festival reúne no line-up bandas de rock de estádio, velharias repetidas, muita música pop e algumas novidades interessantes

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2019 | 19h02

Com a promessa de embalar uma festa sem fim e com o maior número de atrações da sua história, o Rock in Rio 2019 começa nesta sexta-feira, 27, sua 20.ª edição, em sua casa original: o Rio de Janeiro. 

Com a maior Cidade do Rock da história, em 385 mil m² no Parque Olímpico, e ingressos ainda disponíveis para quatro dos sete dias, o festival reúne no line-up bandas de rock de estádio (Foo Fighters, Red Hot), velharias repetidas (Bon Jovi, Iron Maiden), muita música pop e algumas novidades interessantes.

Drake é o headliner do primeiro dia, alguns encontros do palco Sunset prometem bons momentos e palcos menores, espalhados pelo festival, passam a receber atenção, com curadorias mais atentas. A expectativa é vender todos os ingressos e receber 700 mil pessoas.

Para a vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, a Cidade do Rock parece menor, apesar dos 60 mil m² a mais do que na última edição, pela quantidade de "conteúdo" oferecido desta vez. “São 17 palcos, teremos muita coisa acontecendo”, diz ao Estado, na semana dos preparativos finais de abastecimento do local.

"Já não é possível ver tudo", comenta — historicamente, o Rock in Rio oferecia uma programação barulhenta, mas enxuta se comparado à quantidade de atos de outros festivais de tamanhos semelhantes. Já não é o caso. “Quem vier tem de organizar bem a agenda”, sugere Medina. Um aplicativo oficial oferece a possibilidade de maneira interativa.

Num ano em que os governos têm questionado iniciativas culturais por todo o Brasil, ela afirma que o Rock in Rio não passou por problemas com a esfera pública. “Sempre foi um trabalho de parceria, com respeito e admiração. Temos mais de 50 entidades públicas trabalhando conosco há meses”, diz Roberta.

Ela lembra um episódio de uma edição do Rock in Rio Lisboa, em que autoridades locais recolheram alimentos. "Super apoiamos esse tipo de fiscalização. É melhor assim do que ter 20 mil pessoas passando mal dentro da Cidade do Rock", diz Medina. "Ao lidar com um público dessa dimensão, o excesso de preocupação é bem vindo. Não temos nenhum entrave, as coisas estão funcionando super normalmente."

Em 2017, no Brasil, a Vigilância Sanitária do Rio aplicou multas e inutilizou 610 quilos de alimentos em pontos de venda de comida do Rock in Rio, o que gerou reclamações dos chefs envolvidos na operação.

O legado Olímpico para o Rock in Rio

Roberta Medina acredita que a Olimpíada no Rio, em 2016, "deixou um mega legado", ao aprimorar muito a experiência com o BRT, por exemplo.

"Recebemos no Rock in Rio 60% do público de fora do Estado do Rio, então existe um impacto na capacidade do BRT, do metrô, etc. Precisamos pensar em muitas coisas, como em evitar gargalos nas filas de compras dos bilhetes, etc. Tem muitos detalhes e tem muitas equipes trabalhando neles há meses."

Veja fotos da preparação para o Rock in Rio 2019

Novos espaços do Rock in Rio 2019

São seis novos espaços, com programações variadas e shows exclusivos, no Rock in Rio 2019: Espaço Favela, Supernova, New Dance Order, Fuerza Bruta, NAVE e Rota 85.

O Espaço Favela contará com mais de 30 apresentações de música, dança e outras manifestações culturais. Empreendedores de algumas favelas, selecionados por uma parceria com o Sebrae, também estarão ali comercializando trabalhos de gastronomia, serviços e outros.

Entre as atrações anunciadas, estão o rapper carioca BK, a Orquestra Maré do Amanhã e a festa Heavy Baile com Tati Quebra Barraco e MC Carol. Segundo o diretor artístico do espaço, Zé Ricardo, a curadoria buscou artistas pelo talento, sem nenhum tipo de assistencialismo ou paternalismo. A intenção foi revelar nomes que estão prontos para serem absorvidos pelo mercado. “Vamos apresentar novos artistas e alguns já muito conhecidos oriundos de favela que tem essa ligação com o lugar que residem, que estão ganhando espaço e já tem seu público e redes sociais muito fortes", disse.

Com algum atraso, o Rock in Rio finalmente criou um palco oficial para receber bandas novas com potencial de crescimento para o mainstream: o Palco Supernova. O palco fica numa área elevada da Cidade do Rock, com vista para o festival.

“A ideia surgiu do próprio festival, que sempre teve vontade de ter um palco com essa característica: artistas que poderiam estar em espaços maiores em outras edições”, explica o curador do Supernova, Roberto Verta. “Também queremos aproximar alguns artistas novos do público do festival.” 

Segundo o curador, a escalação foi pensada para combinar com o line-up dos palcos principais. No primeiro dia, por exemplo, quando Drake encerra a noite, artistas do hip-hop nacional, como Oriente e Haikaiss, se apresentam no Supernova.

Seguindo a tendência de outros festivais dentro e fora do Brasil, o Rock in Rio ampliou e reformulou sua antiga tenda Eletrônica. O espaço para a música eletrônica agora se chama New Dance Order, uma estrutura de 65 metros de extensão, 24 metros de altura e 560 metros quadrados de LED screen. São 64 atrações (como Alesso, Tropkillaz, Vintage Culture, Infected Mushroom) e o espaço fica aberto das 16h às 4h, todos os dias do evento.

A companhia argentina Fuerza Bruta elaborou um festival para homenagear a primeira edição do Rock in Rio. Em uma arena olímpica da Cidade do Rock, o show terá acrobacias circenses, performances de dança, e música ao vivo, comandada por DJs e com a participação do grupo AfroReggae. Serão cinco sessões diárias de 30 minutos cada, com capacidade para três mil pessoas.

A NAVE é uma parceria do Rock in Rio com a empresa Natura. Uma instalação audiovisual e com cenografia física e virtual, o espaço tem o objetivo de alertar o público sobre seu papel na "transformação da sociedade", segundo a empresa. A direção artística é do ator e diretor Marcello Dantas. Cada sessão tem duração de 15 minutos e capacidade para 2,4 mil pessoas. Ao todo, a expectativa é que mais de 200 mil fãs passem pela atração ao longo dos 7 dias do festival.

Já a Rota 85 é um novo espaço “vintage” do festival, inspirado na Rota 66 americana. Ali o palco Highway Stage recebe bandas de rock clássico e blues, e entre outros atrativos, o espaço recebe a capela do Rock in Rio, onde são realizados os casamentos do evento.

Rock in Rio: onde e quando?

Cidade do Rock - Parque Olímpico. Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ.

27 a 29 de setembro e 3 a 6 de outubro de 2019. 

Ingressos: R$ 525 (ainda disponíveis nos dias 28/9, 29/9, 3/10 e 5/10). 

Atrações: clique aqui para o line-up completo.

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Cinco shows imperdíveis do Rock in Rio 2019

Na maior edição de sua história, Rock in Rio parece querer provar que a música ainda é o elemento mais importante

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2019 | 18h59

Embora ainda se concentre nos atos antigos e repetidos, o Rock in Rio sempre conseguiu encaixar em sua programação novidades interessantes e artistas inéditos no Brasil. Para a edição de 2019 — que começou no último dia 27, com a promessa de diversificar atrações e espaços — o festival deve promover encontros interessantes, tanto no programa principal quanto na programação paralela.

A seguir, os cinco shows (todos na programação principal) imperdíveis do Rock in Rio 2019.

Drake (27/9)

O show no Rock in Rio foi a única, e primeira, apresentação do rei do streaming no Brasil. Leia mais aqui.

Mano Brown e Bootsy Collins (27/9)

O encontro da versão soul do rapper brasileiro com o ex-membro da banda de James Brown e do Parliament-Funkadelic

Nile Rodgers & Chic (3/10)

O lendário guitarrista e compositor americano fez fama fornecendo clássicos para muita gente – mas no Rock in Rio ele toma a frente do palco

Anitta no Palco Mundo (5/10)

Depois de muitos fãs terem pedido a cantora na última edição, a organização ouviu e colocou a cantora, em plena carreira internacional, em um dos maiores palcos da Terra

King Crimson (6/10)

São oito integrantes, e uma linha de três bateristas à frente do palco. A primeira vez desses pioneiros do rock progressivo tem tudo para ser uma grande experiência. Leia mais aqui.

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