Rock in Rio: 63% já experimentaram drogas

Uma pesquisa junto ao público do Rock in Rio 3 revelou dados preocupantes de consumo de drogas na faixa de idade entre 15 e 30 anos. Dos 1,2 milhão de pagantes, 1.900 pessoas responderamvoluntariamente a um questionário elaborado pela equipe do psiquiatra Jorge Jaber, especialista em dependência química. Dentre elas 63% já haviam experimentado um ou mais tipos de drogas, sendo que o álcool ficou em primeiro lugar (99%), seguido de cigarro (66%), maconha (51%),cocaína (26%), anabolizantes (14%) e outras (26%).?Ainda é cedo para se tirar conclusões porque estes dados têm que ser cruzados por um especialista em estatística voltado para a saúde?,avisa Jaber. Ele pretende levar seu estudo à Real Academia de Medicina da Inglaterra, em maio, ou ao Congresso Mundial de Saúde Mental ao Canadá, em julho. ?O que mais me impressionou é que 35% dosentrevistados não consideraram o álcool uma droga. Esta é a diferença entre os que negaram ter experimentado droga e os que afirmaramjá ter consumido bebida alcoólica.?A idéia da pesquisa partiu de um convite da organização do Rock in Rio para que Jorge Jaber fizesse um trabalho de prevenção. ?Como acreditoque essas campanhas devem começar junto ao possíveis consumidores, decidi fazer o estudo e, a partir dele, traçar planos para uma prevenção eficaz?, conta o psiquiatra, que tem também formação psicanalítica. ?É importante salientar, que ouvi um público muitoespecífico. São pessoas entre 15 e 30 anos, que podem pagar o ingresso de R$ 35,00 e têm, no mínimo, o segundo grau.? Jorge Jaber ressalta, no entanto, que os números não indicam um altonível de dependência química entre o público do Rock in Rio, pelo contrário. Ele lembrou que 97% consideraram a iniciativa da pesquisaboa e 59% acham necessárias as campanhas de prevenção, embora duvidem da eficácia das que são feitas na mídia.Jaber lembrou também o consumo de cerveja foi acima da média (0,5 litros por pessoa/dia), mas aocasião (um festival de rock) e o espaço de tempo (cerca de 10 horas, entre a chegada e o último show), indicam uma situação específica. ?Nãoavaliei ainda este dado, mas soube informalmente que, nos sete dias do Rock in Rio, não houve um só caso de overdose.?O psiquiatra explica que, pelas normas da Organização Mundial de Saúde e da Associação Americana de Psiquiatria, só pode ser consideradodependente químico quem responde afirmativamente a três de seis perguntas sobre consumo: se a freqüência é alta, se o desejo é persistente, se o tempo gasto na obtenção da substância é grande oucrescente, se outras atividades são abandonadas em favor do consumo, se os sintomas de intoxicação ou de abstinência são constantes e se o uso permanece contínuo, apesar do conhecimento do mal que a substância causa. ?É preciso cruzar estas informações com um questionário de quatro perguntas elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria que aferese o consumidor já sentiu necessidade de reduzir o uso da substância, se fica zangado com perguntas sobre o assunto, se sente culpa e se já bebeu ou usou droga para se sentir melhor?, explicou. ?Incluí estas perguntas no nosso questionário e a conclusão inicial foi que 29% dos entrevistados tinha baixo risco de dependência, 71% apresentavam risco médio (40%) ou alto (31%). Esse último número exige uma análise mais atenta.?

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