Rock e atitude com Concrete Blonde

Toca nesta quarta-feira em SãoPaulo, no Credicard Hall, uma banda de rock que tem atitude.Trata-se do Concrete Blonde, grupo dos anos 80 e 90 que teve suavisibilidade um pouco prejudicada pela emergência de bandas maisbadaladas, como Pretenders, e que se reuniu de novo depois de oito anospara reocupar um lugar ao sol no espectro musical. "Não gostode George Bush, a maioria deste país não o quis para presidentee meu coração manda que eu diga ao meu público que ele é errado,é naïve (ingênuo), tem uma visão do mundo de 30 anos atrás",disse, em entrevista à reportagem, a vocalista JohnetteNapolitano.Johnette estava explicando a citação que colocou no sitedo seu grupo na internet, da ex-primeira-ministra israelenseindiana Golda Meir: "Um líder que não hesita antes de enviarsua nação à batalha não está preparado para ser um líder." Oalvo é inequívoco. "Eu só toco música, mas se puder influenciarpessoas é melhor."Reagrupada com a formação original (Johnette e mais oguitarrista Jim Mankey e o baterista Gabriel Ramirez no lugarque foi de Harry Rushakoff), o grupo lançou no início do anopassado o álbum de comeback, Group Therapy, com 12 faixasnovas - as primeiras desde Mexican Moon, de 1994. Têm 20anos de carreira - surgiram em 1982, com o nome de Dream 6 - eseis discos lançados, com hits como Joey e God Is aBullet (do álbum Free, de 1989).Johnette é uma band leader de idéias complexas. "Nãosou muito enfronhada na cultura pop americana", ela diz. "Ouçorádios independentes e passo mais tempo ouvindo flamenco, queestou estudando, do que rock." O flamenco é uma linguagem que atoca especialmente. "Para mim, é como o blues para orock´n´roll", diz.Ainda assim, consegue apontar alguns destaques na cenado pop rock atual, como Björk e Moby. "Meu ideal de rock é umamúsica inovativa, original, elaborada, mas ainda assimconservando a energia do rock", ela afirma. "Rock & roll temsido minha vida inteira; nasci nos anos 60, sou a mais velhageração que existe", brincou.Em vez de fazer elegias a Led Zeppelin ou Sex Pistols ououtros predecessores, ela prefere destacar bandas maisparticulares. Não é à toa que a primeira faixa do álbum GroupTherapy é Roxy, em homenagem ao Roxy Music. "Principalmenteas experiências dele depois do Roxy me interessam muito, é aesse tipo de música que me refiro."Fazendo um tipo de punk encorpado por sintetizadores nos 80, oConcrete Blonde naufragou quando foi mais em direção à new wave,trazendo Paul Thompson (ex-Roxy Music) para o lugar de HarryRushakoff. A nova safra de canções parece retomar um pouco ovelho frescor, além da disposição da bem-humorada Johnette.Do disco Group Therapy, a banda deve tocar Take MeHome, Roxy, Tonight e When I Was a Fool. Mas é noscinco discos anteriores que o repertório é centrado. "Nuncaestivemos aí, então vamos caprichar na performance para aplatéia que vamos ver pela primeira vez", disse Johnette.Concrete Blonde. Amanhã, às 21h30. De R$ 20,00 a R$ 100,00.Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955 (informaçõespelos tels.: (11) 5643-2500 ou (11) 6846-6000.

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