Roberto Minczuk conduz Sinfônica Brasileira em São Paulo

Foi um dos episódios mais marcantes da história recente da vida musical brasileira. No ano passado, a dupla que transformou a Sinfônica do Estado de São Paulo no grande fenômeno entre as orquestras do País - John Neschling e Roberto Minczuk - se dissolveu por causa de questões artísticas. O primeiro ficou na Sala São Paulo; o segundo, partiu para o Rio, onde assumiu Orquestra Sinfônica Brasileira com o objetivo de recuperar a história de glórias daquele que é o mais antigo conjunto orquestral do Brasil. Minczuk acaba de abrir no Municipal carioca sua primeira temporada como diretor. E hoje desembarca em São Paulo para mostrar ao público a sua nova OSB, em concerto que abre nova série de apresentações musicais da Hebraica. "Eu sinto a orquestra em uma boa fase", diz Minczuk, de Dallas, ao Estado. "A cidade do Rio de Janeiro vai ter a oportunidade de ver a Orquestra Sinfônica Brasileira se transformando, ganhando novo gás. Há muito chão pela frente, claro, mas a orquestra quer tocar cada vez melhor, com mais prazer. E a sociedade comprou esta idéia, tem se mobilizado, apoiado. O número de assinantes, por exemplo, já dobrou. A abertura do ano, no Municipal do Rio, estava lotada. O clima é de muita expectativa e apoio. E não se trata apenas do Rio, não. A classe artística brasileira como um todo entendeu que é bom, saudável, ter mais do que uma orquestra sinfônica de nível internacional", completa o maestro. Recado dado, Minczuk comemora o acerto de mais parcerias, com a Companhia Vale do Rio Doce e com a Telemar, que vão bancar algumas das séries da orquestra. E fala um pouco da temporada deste ano. Há muito Mozart (250 anos de nascimento), Schumann (150 anos de morte) e Shostakovich (100 anos de nascimento). Serão, ao todo, 50 concertos, comandados por Minczuk e por uma série de solistas e maestros convidados: Kurt Masur, Ira Levin, Jamil Maluf, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Jean-Louis Steuerman, Eduardo Monteiro, Nadja Salerno-Sonnenberg, Alex Klein, Fábio Zanon, Lilian Barreto e por aí vai. "Por mais que este seja um ano com importantes efemérides, acredito sempre em montar repertórios os mais ecléticos possíveis", diz Minczuk. Mas há um período ou repertório para o qual a OSB parece mais talhada? "Uma orquestra sinfônica não pode ser um museu de grandes obras-primas do passado. Precisamos contemplar desde o Barroco até os nossos dias. E ressalto a música de hoje. É preciso ter sempre em mente ao se programar uma temporada de obras relevantes para o nosso tempo, que dialogam com a nossa época, tentam responder às nossas questões", diz. Para este ano, estão programadas peças de Almeida Prado, Jocy de Oliveira e do americano John Adams (Sobre a Transmigração das Almas, obra em homenagem às vítimas do 11 de Setembro, que Minczuk estreou no Brasil há dois anos, com a Osesp). Minczuk estava nos EUA quando conversou com o Estado. Regeu na semana passada a Sinfônica de Dallas após semanas nas quais substituiu às pressas Kurt Masur na turnê que fazia com a Filarmônica de Londres, inclusive com concertos em Nova York ao lado da violinista Anne Sophie-Mutter. "É uma loucura, ir do aeroporto para o teatro para reger um programa com a Primeira de Mahler e o Concerto para Violino de Kachaturian. Mas tenho só que agradecer. O retorno pessoal, em todos os sentidos, de uma experiência como essa é incrível." Hoje, ele rege um programa que tem como destaque a Sinfonia nº 8 de Dvorak. O concerto da OSB abre a série da Hebraica, que já tem outros concertos programados. Em maio, a Jazz Sinfônica interpreta um programa dedicado a obras de Cyro Pereira, Marcelo Guelfi e Tom Jobim. E, em novembro, Abel Rocha rege a Banda Sinfônica em Carmina Burana, de Carl Orff, com Adélia Issa, Sebastião Câmara e Sebastião Teixeira. Orquestra Sinfônica Brasileira da Cidade do Rio de Janeiro. Hebraica - Teatro Arthur Rubinstein. R. Hungria, 1.000, 3818-8888. Hoje, 21 h. R$ 54 (sócios) e R$ 108.

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