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Roberto Carlos vence traumas e manda 'tudo para o inferno' na gravação de seu especial

Cantor recolocou no repertório de seu especial de fim de ano música que não levava aos shows há mais de 20 anos; Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marisa Monte foram seus convidados

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2016 | 08h42

RIO - A noite em que Roberto Carlos venceu uma etapa de seu transtorno obsessivo compulsivo. A frase pode ilustrar bem o segundo e último dia de gravação do especial de fim de ano, nesta terça, 8, em um estúdio do Projac, na Globo. O programa, ainda sem data definida, será exibido próximo ao Natal.

Roberto cantou Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, algo que não fazia há muitos anos. "Nem eu mesmo sei há quantos anos não canto essa canção", disse. E explicou: "Os amigos sempre insistiam para eu cantar. Aí comecei a tratar do meu TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e cantei a frase pela metade. Mas agora, resolvi cantar tudo".

Na primeira vez, a palavra "inferno" saiu de seus lábios com certa dificuldade, mas ele logo embalou e chegou a um ponto de empolgação que parecia contaminar todo o grupo. Ao final, enquanto abraçava o maestro Eduardo Lages, um incentivador da interpretação, Roberto era ovacionado. E um inferno nunca foi tão aplaudido.

Em vez de chamar nomes do funk ou da música sertaneja em evidência, estratégia de alguns anos, Roberto recebeu na terça Gilberto Gil e Caetano Veloso, que cantaram duas músicas: Coração Vagabundo e Marina. Dois belos momentos, reconsiderando a amizade dos três depois do turbulento episódio do Procure Saber, grupo que defendia as biografias autorizadas do qual Roberto saiu às rusgas com Caetano Veloso, há dois anos. Gil, em tratamento de uma insuficiência renal, parecia mais frágil, com a voz mais opaca e um tanto trêmulo. Mas nada prejudicou sua entrega nas partes em que devia cantar e tocar violão ao lado de Caetano e Roberto, que enxugou lágrimas ao fim das duas músicas.

Marisa Monte, a terceira convidada (Zeca Pagodinho participou das gravações na segunda, 7) veio de branco para cantar outras duas: Uma surpreendente versão para De Que Vale Tudo Isso, do repertório de Roberto, e sua Ainda Bem, em dueto com o cantor. "Nunca pensei que um dia alguém cantaria essa música assim", disse Roberto enquanto Marisa cantava a primeira.

O pior momento, que parecia constranger o próprio cantor, foi um dueto que ele fez consigo mesmo. Ou tentou fazer. Ali, tudo ficou de mau gosto. Roberto apresenta, olhando para um telão, "Robertinho Carlinhos", ele mesmo, usando uma peruca e um paletó preto, outro tabu quebrado em seu TOC, que não mais permitia que ele se aproximasse dessa cor. Há um diálogo entre o Roberto do palco e o do telão (que na montagem do programa vai aparecer no palco, ao seu lado) no qual o cantor tem de seguir um péssimo roteiro. Depois de deixas, eles cantam em dueto Mexerico da Candinha, Namoradinha de um Amigo Meu e Eu Sou Terrível. E foi este, além da participação de Marisa Monte, o momento que o diretor Boninho pediu para ser repetido. Nem Roberto gostou.

Repertório da gravação de terça:

1. Emoções

2. Como Vai Você

3. Coração Vagabundo (com Gil e Caetano)

4. Marina (com Gil e Caetano)

5. El Día que me Quieras

6. De que Vale Tudo Isso (com Marisa Monte)

7. Ainda Bem (com Marisa Monte)

8. Mexerico da Candinha

9. Namoradinha de um Amigo Meu

10. Eu Sou Terrível

11. Quero que vá tudo pro inferno

12. Outra Vez

13. Cavalgada

14. Jesus Cristo

 

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