Wilton Júnior / Estadão
Wilton Júnior / Estadão

Roberto Carlos se apresenta na Espanha pela primeira vez em 25 anos

Último álbum do cantor, 'Amor sin límite' tem canções inéditas em espanhol

Javier Herrero, EFE

24 de maio de 2019 | 11h08

Madri – Seja como anacronismo sentimental ou como eterna essência do romântico, Roberto Carlos interrompeu nesta quinta-feira um longo hiato de 25 anos sem se apresentar na Espanha para defender uma forma de cantar o amor preso em sutilezas, mesmo em tempos de reggaeton.

Aos 77 anos, um pouco mais que estrelas espanholas contemporâneas como Julio Iglesias, Raphael e José Luis Rodríguez, a lenda da música brasileira conseguiu reunir cerca de 8.000 pessoas no WiZink Center de Madri, a capacidade máxima, para sua única apresentação no país.

A razão da visita, intitulada Amor sin límite (2019), é seu último álbum, que se destaca em sua extensa discografia por ser seu primeiro de trabalho com canções inéditas em castelhano em um quarto de século.

No entanto, o novo trabalho só foi representado no show por Esa mujer, que gravou com Alejandro Sanz, uma vez que o cantor preferiu focar a apresentação em clássicos como Emociones.

Com o tradicional terno azul e camisa e sapatos brancos, como se Madri fosse por uma noite a Miami dos anos 1980, Roberto Carlos transformou o WiZink Center no ponto de encontro de todos aqueles que há mais de 30 anos (ou 40) cantam orgulhosos o amor lírico.

Mesmo que sua cabeleira não ostente a frondosidade de outrora e que a fluência dos seus movimentos delate os achaques do tempo, o cantor provou que mantém seu vínculo com o público espanhol e, o que é mais difícil, a contundência dos graves da sua voz (embora não tanto os agudos).

"Que prazer vê-los aqui na Espanha, em Madri! Obrigado por este carinho e amor, por essas coisas lindas que recebi de vocês desde que nasci. Sei disso há muito tempo, mas é uma alegria enorme depois de tantos anos sem vir. Muitas coisas aconteceram na minha vida, mas agora estou aqui e acho que vou voltar muitas vezes mais", prometeu.

Apenas artistas melódicos com uma bagagem de 140 milhões de cópias vendidas no mundo todo podem se rodear de uma banda como a do brasileiro: duas coristas e 11 músicos, a metade deles para o naipe de metais, que brilhou em temas como a etérea Qué será de ti e, logo depois, Cama y mesa.

Nessa bolha "temposentimental" soaram outros grandes hits como Desahogo e a imprescindível Lady Laura, mas só depois que, ao violão e em um formato mais íntimo, interpretou Detalles, com especial ênfase nos seus versos finais: "Vas a acordarte de mí".

"Falta falar de sexo", comentou, lembrando um dia no qual se questionou se tinha tratado todos os ângulos do amor. Assim abriu caminho para um segmento de sensualidade protagonizado pela célebre e mais gráfica Cóncavo y convexo.

Na segunda metade do show, se destacaram canções como El progreso e sua visão idealizada de uma humanidade civilizada como os animais, e a melancólica Un gato en la oscuridad, sucesso que o transformou em ídolo nos países de língua espanhola, mas não estourou no Brasil.

"Se não a fiz em português é porque não entendia muito bem de que tratava", se desculpou em uma de suas muitas brincadeiras, logo antes de iniciar a parte final com La distancia e uma versão de El dia que me quieras de Carlos Gardel, e o bis no qual voltou a assinar com caráter vitalício esse pacto de conciliação mundial chamado Un millón de amigos.

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