Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Roberto Carlos faz show picante e 'passa o rodo' no público feminino

Cantor enche apresentação com músicas de apelo erótico e, ao final, dedica show a Hebe Camargo

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

08 de novembro de 2012 | 10h53

Muito mais desinibido do que de costume. Mais espontâneo, menos desconfiado.  Místico como sempre, mas não mais tão reverente. E, certamente, fazendo um dos shows mais “picantes”, de maior apelo erótico, de toda sua carreira. Aquele cara que o Brasil ama de Norte a Sul, Roberto Carlos, está aceso de novo, como mostra em sua nova turnê, no Ginásio do Ibirapuera, que abriu nesta quarta-feira, 07.

No pot-pourri de sua fase moteleira, Roberto "passa o rodo" no seu público feminino, faz uma seleção “no mercy” total, incluindo Seu Corpo, Café da Manhã, Os Botões, Falando Sério, O Côncavo e o Convexo. Antes, já tinha cantado Cama e Mesa, brincando com um gesto de melar a boca ao som dos versos “Me esfregar na sua boca. Ser o seu batom. O sabonete que te alisa. Embaixo do chuveiro”.

“Não seria nada mal eu tentar ser o galã de sua novela”, provoca, e a plateia desaba. Os gritos lá do fundão começam a se tornar histéricos. Cuidado, Brasa!, vai que a segurança não te garante... Até parece que alguém anda agitando o leito real.

Roberto chegou a “exumar” um texto de Ronaldo Bôscoli, de 1987, que acompanhava a turnê Detalhes naquela década. Um texto de grande malícia erótica, como de resto é o seu show: “Minha vida tem sido um amar sem conta, lúcidas ou tontas, muitas, mas não tantas. Umas à luz do sol, outras em brumas, no sarro ou no carro, na febre da cama algumas. Que me perdoem as palavras que usei pensando nela, mas o suor dela ainda escorre no meu peito. Com ela, o gesto do amor é perfeito”.

Ao cantar pela primeira vez para o seu grande público a canção mais recente, Esse Cara sou Eu, que está na trilha da novela global Salve Jorge, o cantor explicou que, dias atrás, recebeu a visita da escritora Gloria Perez, e lhe mostrou a composição. Ela imediatamente lhe disse que a música era perfeita para o romance sobre o qual giraria sua próxima novela. Roberto brincou, dizendo que não imaginava que, num futuro muito próximo, ouviria a música como tema da “Nanda Costa e... o grande Lombardi”, esquecendo o primeiro nome do ator Rodrigo Lombardi. Nanda Costa ele encheu a boca para falar o nome.

E então explicou o que considera a essência da canção, que trata de “o cara que toda mulher gostaria de ter. O cara que todo homem gostaria de ser. Logicamente, o cara que eu tento ser”. O êxito da nova canção parece ter deixado o músico muito animado, tanto que ele fez questão de citar quem foi o arranjador da composição, o tecladista Tutuca Borba (também arranjador de Nossa Senhora).

Roberto Carlos é cada vez mais igual e cada vez mais diferente. Agora, pontua sua fala com histórias novas, declarações e até algumas revelações prosaicas - como a história do cachorro vira-latas que inspirou a música O Portão.  Tratava-se de um personagem de um livro infantil que leu aos 6 anos, o cão Axaxá, vira-latas que se apaixonou por uma cadelinha. Mas a cadela caiu de amores por um cachorro da cidade, que dirigia um conversível. O cão Axaxá passou a beber alopradamente. “E olha que eu tô falando de um livro infantil. Eu chorava, e ele lá no bar bebendo”, disse Roberto, provocando gargalhadas da plateia. Quando adulto, Roberto arrumou um cachorro que batizou de Axaxá. “E era esse cachorro que me sorria latindo”, contou, antes de cantar o clássico O Portão.

Seu rosto, que em tempos recentes parecia meio castigado, mais marcado pelo sofrimento, demonstra um entusiasmo novo. Continua com aquele jeitão de índio de faroeste, um apache ou um navajo nômade, mas está de novo ciscando nos terreiros alheios. Cantou Mulher Pequena e também Pensamentos (uma que tinha reincorporado ao seu repertório durante o show em Jerusalém, há um ano). Na plateia, além de VIPs como Rodrigo Faro e Adriane Galisteu, os fãs de sempre, a maioria mulheres, que lotaram as quatro noites de sua temporada - Lady Gaga, com dificuldades para encher o Morumbi, deve estar pensando: quem é esse cara?

Ao cantar Lady Laura, por exemplo, em homenagem à mãe que morreu em 2010, ainda fez questão de ressaltar a melancolia que lhe causa executá-la. “Hoje não posso dizer que a canto com a mesma alegria, mas o amor é cada vez maior”, afirmou. E concluiu prestando um tributo e dedicando o show à amiga Hebe Camargo, pedindo uma salva de palmas para a apresentadora morta em setembro. Esse cara se garante.

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