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Roberto Carlos anuncia megaturnê

O rei distribuirá 3.456 botões de rosas vermelhas no percurso de 42 mil quilômetros da turnê

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

23 Março 2009 | 19h05

O cantor Roberto Carlos, que celebra 50 anos de carreira, anunciou na tarde desta segunda, 23, em São Paulo uma extensiva programação comemorativa que vai levá-lo a percorrer em um ano 20 cidades do mundo. O show principal será no dia 11 de julho, no Estádio do Maracanã, para 60 mil pessoas - a venda de ingressos será anunciada em breve (clientes dos bancos Itaú e Unibanco, patrocinadores, terão prioridade).

 

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É uma das maiores excursões de sua carreira, e começa com um show em sua cidade natal, Cachoeiro do Itapemirim (ES), onde não cantava havia 14 anos. Será no dia 19 de abril, dia de seu aniversário, no Estádio do Sumaré. "Vou segurar a emoção, senão vou chorar a cada meia hora", disse Roberto, de 68 anos. Ele falou a jornalistas na sede do instituto Itaú Cultural, na Avenida Paulista.

 

A equipe de Roberto contabilizou os números da megaturnê, que equipara-se à de artistas como Madonna e Stones: serão 42 mil quilômetros percorridos, com 70 toneladas de equipamentos, 54 pessoas em trânsito em um avião, dois ônibus, 60 carros, 40 vans. Roberto distribuirá 3.456 botões de rosas vermelhas no percurso (12 dúzias a cada show) e 864 de rosas brancas.

 

Roberto prometeu também um disco de músicas inéditas até o final deste ano, e disse que já tem canções compostas em parceria com Erasmo Carlos. "Trabalho muito, presto atenção a tudo que vejo, porque o que vejo pode se tornar uma canção. Eu gosto de tudo que o povo gosta, tenho o mesmo gosto do povo, e acho que isso é uma coisa muito boa para mim", afirmou.

 

Extrovertido, ele gracejou com o desejo manifesto pela apresentadora Hebe Camargo, de 80 anos, de tê-lo em seu rol de namorados. "A Hebe é uma gracinha", brincou. "A Hebe é um símbolo da alegria, uma força fantástica".

 

Ele só foi mais evasivo quando indagado sobre suas manias. "Eu ainda não me dei alta do tratamento", disse, explicando porque ainda não se decidiu a quebrar dois tabus recentes em sua carreira: o veto à reedição de seu primeiro álbum, Louco de Amor, e a liberação para intérpretes de Quero Que vá Tudo para o Inferno (1965), música sua que ele hoje nega. "Eu falei que não, mas pode até ser que eu cante essa canção que você falou aí", disse, mostrando que se recusa até a pronunciar o nome da música.

 

A respeito da biografia Roberto Carlos em Detalhes, proibida pela Justiça a seu pedido, ele foi muito breve: "Já manifestei minha opinião sobre essa biografia de todas as formas que eu pude e posso". Ou seja: não tem a mínima intenção de liberar o livro de Paulo César Araújo.

 

Roberto falou de suas motivações iniciais ("Desde que cantei no rádio pela primeira vez, decidi que ia ser cantor e não médico, como minha mãe desejava") e disse que seu novo disco de inéditas vai falar do que sempre falou: do amor. "É a coisa mais importante. Tento falar de uma forma que eu descubra que ninguém ainda tenha falado".

 

Descontraído, o cantor macaqueou a si mesmo dizendo "como dizem os imitadores: são tantas emoções, bicho!" ("Eu também imito os imitadores", brincou) e expôs opinião sobre diversos assuntos, até a crise econômica. "Acho que (para) os artistas, de modo geral, o efeito não é tão grande. Mas é lógico que tem um certo efeito. E, com tanta preocupação com a crise, acho que o povo quer ver os artistas", ponderou.

 

Entre as novidades da programação, está uma grande mostra multimídia na Oca do Ibirapuera, em janeiro de 2010, com curadoria de Marcello Dantas (realizador da mostra Bossa na Oca, no ano passado). O cantor e seu empresário, Dody Sirena, anunciaram também o lançamento de um segundo disco de parcerias, o Duetos 2.

 

O repertório do show no Maracanã vai ser montado a partir de uma seleção de canções de todas as fases de sua carreira. Roberto tem mais de 500 gravações em 56 álbuns. Erasmo Carlos, maior parceiro em toda a carreira, vai predominar. Ele diz que, antigamente ele e Erasmo costumavam compor uma canção em um hora. Hoje, levam semanas burilando. "A gente está sempre buscando melhorar".

 

Disse que, quando menino, sua maior influência foi Bob Nelson, cantor que "cantava canções de caubói na Rádio Nacional", além de Nelson Gonçalves, Albertinho Fortuna, Gregório Barros e Lucho Gatica. Depois, veio João Gilberto, influência seminal - ele começou na carreira exatamente há 50 anos imitando João Gilberto na Boate Plaza, em Copacabana, Rio de Janeiro.

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