FABIO MOTTA/ESTADAO
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Roberta Medina: 'Nem Madonna' poderia substituir Lady Gaga no Rock in Rio

Mesmo sem a cantora, rainha do público LGBT, esta edição do festival tem como marca o clamor pelo respeito à diversidade sexual

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2017 | 17h38

RIO - Pabllo Vittar atualizando as definições de lacre. Johnny Hooker, Liniker e Almério cantando a liberdade de amar quem se quer. Público gay se vestindo, dançando, beijando sem medo de olhares preconceituosos. Mesmo sem Lady Gaga, rainha do público LGBT, esta edição do Rock in Rio tem como marca o clamor pelo respeito à diversidade sexual. É um reflexo do momento atual, em que o exercício da tolerância é estimulado, acredita Roberta Medina, vice-presidente do festival.

“A Cidade do Rock, assim com a Disneylândia e outros ambientes dedicados ao lazer e à cultura, proporciona a baixa das defesas. A gente na rua anda se defendendo muito, e facilmente ataca. Aqui, todos os preconceitos ficam absolutamente irrelevantes. As pessoas são diferentes e tudo bem”, disse Roberta, comentando a afirmação de Hooker, de que esta é a edição “mais gay” do Rock in Rio – isso a despeito da onda conservadora no Brasil, que trouxe de volta assuntos como a “cura gay” por psicólogos.

“Não sei dizer se é ‘o mais gay’. O mundo é muito gay também, desde a Grécia antiga. O assunto está quente. Hoje os veículos de comunicação, as novelas tratam do assunto abertamente, e com frequência. Tem um movimento acontecendo, e o Rock in Rio materializa isso. É o retrato do mundo possível, de respeito ao outro independentemente de qualquer coisa, e sem discriminação. Isso vai elevando o nível de consciência”, ponderou.

Roberta disse que ainda está sendo debatida a possível participação de Anitta no Rock in Rio Lisboa, ano que vem. Os fãs da cantora reclamaram sua ausência no line up do festival no Rio, em especial depois do cancelamento da apresentação de Lady Gaga de véspera. “O artista para substituir tem que ter já um show montado para aquele palco. Por isso, tinha que ser alguém que já estava no festival, com a estrutura toda (Maroon 5). A gente nunca cogitaria alguém de fora, nem se fosse a Madonna. É uma produção muito grande. Um show ruim no Palco Mundo é destruidor.”

Sobre as notícias de que a produção de Anitta pensa em montar um festival próprio, com atrações do funk e do pop, Roberta disse que o Rock in Rio vê o surgimento de novidades como esta com bons olhos. “Quanto mais, melhor. O mundo está vivendo o surgimento de muitos festivais. É sinal de que as pessoas precisam estar juntas. Festival tem função de encontro. A gente não sobrevive se relacionando só através do telefone celular.”

Depois de três noites na semana passada, o Rock in Rio volta nesta quinta-feira, 21. Até domingo, receberá como atrações principais as bandas Aerosmith (quinta), Guns ‘N Roses (sexta-feira), Bon Jovi (sábado) e Red Hot Chili Peppers (domingo).

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