Rob Grabowski/Invision/AP
Rob Grabowski/Invision/AP

Robert Plant e Alison Krauss estão de volta à estrada juntos

Os dois contam em entrevista como está sendo o reencontro nos palcos desde que lançaram em novembro o disco 'Raise the Roof'

Geoff Edgers, The Washington Post

09 de junho de 2022 | 20h00

A história de por que Robert Plant e Alison Krauss precisaram de tanto tempo para dar sequência ao seu aclamado álbum de estreia vencedor do Grammy, Raising Sand, de 2007, permanece obscura. Pressione-os em entrevistas separadas e você será informado sobre a necessidade de "fazer um balanço" ou agendas lotadas ou "esperar a hora certa". Ok, nos rendemos. Mas não nos culpe por querer saber por que esses dois, que cantam tão lindamente juntos e claramente se dão bem, demoraram tanto para fazer isso de novo.

Em novembro, eles lançaram Raise the Roof, produzido por T-Bone Burnett, seu aguardado segundo álbum, com covers de músicas de, entre outros, Merle Haggard, The Everly Brothers, Bobby Moore, Bert Jansch e Geeshie Wiley. A dupla está em turnê agora.

Conversamos com Plant pelo Zoom e com Krauss por telefone. Estas entrevistas foram editadas por questões de extensão e clareza.

Eu sempre vejo as pessoas dizerem que essa é uma combinação muito excêntrica. Não tenho certeza se concordo. Robert sempre abraçou o bluegrass e a música de raiz. Você era um garota da MTV. Você assistiu a seu material solo nos anos 1980.

Krauss: Bem, quando conversamos pela primeira vez sobre cantar juntos, foi estranho. O que vamos fazer? Bem, vamos tentar. Vamos ficar três dias no estúdio e vamos ver o que encontramos? E foi algo muito, muito leve e eu sabia, desde nosso primeiro encontro, que ele era um grande fã de Ralph Stanley. E nos anos 1970, ele dirigia pelas Montanhas Apalaches ouvindo um dos meus discos favoritos. Toda vez que qualquer pessoa do bluegrass me pergunta como ele é e eu conto essa história, eles simplesmente o amam. Se você conhece aquele disco, Clinch Mountain Gospel, você sabe como ele é.

 

Robert, a música 'Last Kind Words Blues' de Geeshie Wiley é muito assombrosa. Lembro-me de ouvi-la pela primeira vez naquele documentário 'Crumb'. Você a trouxe para Alison?

Plant: Bem, você sabe, essa conversa poderia ser como, quem disse o quê, em que momento e quem estava tocando baixo? Quem trouxe o chá para Bobby Moore enquanto ele afinava seu saxofone? Eu estava obviamente ciente da música e acho que surgiu em uma conversa com T-Bone, para ser honesto, porque, como você diz, é uma música muito única.

A primeira vez que você e Alison gravaram, você parecia estar ouvindo muito Gene Clark. Desta vez, temos duas músicas que conhecemos de Bert Jansch. Elas são cantadas de uma maneira muito específica. Muito tradicional, estilo folk inglês.

Plant: Se você ouvir a voz de Jansch e ouvir Robin Williamson ou alguém da [The Incredible] String Band, há uma inclinação gaélica na maneira como eles enunciam. E a cena folk britânica é particularmente específica, não tem nenhum glissando, nenhuma  terça achatada, os tipos de blue notes que passei minha vida usando. Então eu tenho que pensar... como eu canto isto? É uma rendição. Não é uma homenagem. É apenas uma música da minha parte. É uma linda música (Go Your Way) que eu trouxe para a mesa. Tal como acontece com It Don’t Bother Me.

Alison, Robert fala sobre como ele é um péssimo cantor de harmonia e ainda assim vocês dois cantam lindamente juntos. Gostaria de entender do que ele está falando.

Krauss: Ele nunca canta a mesma coisa duas vezes, ele é muito livre, improvisa no momento. Como um músico de jazz que está constantemente canalizando alguma coisa. Vindo de onde eu venho, no bluegrass todo mundo canta muito, muito consistentemente para que você não seja espancado por seus outros parceiros de canto.

Plant: Ela é mestre em sua arte e eu sou mestre em não fazer a mesma coisa duas vezes. Então é uma colisão. E achamos muito engraçado. E mesmo agora, nos ensaios, decido seguir uma direção diferente. Ela olha para mim, levanta as sobrancelhas e começa a rir. Tivemos um dia de folga ontem e ela me mandou uma mensagem e disse: "Você quer passar por essas harmonias?" Eu disse: "Sem chance."

É estressante tentar se ajustar enquanto ele muda a maneira como canta?

Krauss: Não há piloto automático. No bluegrass, onde cresci, você é muito direto onde coloca as partes. Você não cruza caminhos, não salta para as partes abaixo. Então é apenas uma coisa diferente. É como aprender algo novo. Não é estressante. Engraçado às vezes, mas não estressante.

 

Existe uma música em particular que você diria, ei, se você nos ouvir por quatro noites, ela soará diferente a cada vez.

Krauss: Acho que qualquer uma delas.

E se 'Raising Sand' não tivesse ganhado todos aqueles Grammys e vendido tão bem? E se tivesse sido apenas um pequeno álbum que algumas pessoas conheciam? Você teria feito isso de novo imediatamente? Porque eu entendo, Robert, que você é alguém que não gosta de fazer as mesmas coisas duas vezes. Especialmente quando alguém está dizendo que poderia dar certo.

Plant: Bem, você sabe, eu estava treinando para ser contador quando tinha 17 anos, e isso durou seis meses. Então me apaixonei por uma mulher da Índia. Quero dizer, você apenas... Há muita coisa. Se você pode cantar uma nota e mantê-la, você não vai muito longe e apenas vê o que pode fazer. Apenas continue se movendo. Então eu saí com Patty Griffin e Buddy Miller e Alison seguiu seu caminho. A gente se via de vez em quando. Sempre mantivemos contato.

Do jeito que você está indo com Alison, o terceiro álbum de vocês dois sairá por volta de 2036.

Plant: Quando eu estarei com 88 anos. Ahahaha.

TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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