Rita Ribeiro volta mais pop em "Comigo"

Satisfeita com seu giro pela América do Norte no ano passado, que lhe valeu uma indicação para o Grammy, Rita Ribeiro entrou em estúdio decidida a explorar, em disco, a mesma formação de sua turnê: baixo, guitarra e bateria. O resultado, segundo ela, é um álbum econômico e meio rock´n´roll. Íntimo e ao mesmo tempo mais pop que seus antecessores, Rita Ribeiro (1996) e Pérolas aos Povos (1999). E "tão para cima quanto", garante. Comigo (MZA/Universal) chega às prateleiras em agosto.Sem se preocupar com as cobranças, Rita diz ter feito o que queria, influenciada principalmente por música black dos anos 70, pop africano, canções celtas e escalas indianas que esteve ouvindo ultimamente. Entretanto, não deixou de lado as raízes maranhenses, centradas na cultura popular de seu estado. Apenas se apropriou de outras referências. As mudanças não são radicais, mas podem ser notadas de cara, em seu visual. Os pitós, caracóis de cabelo feitos com os dedos, foram substituídos por dreads "mais molinhos", pintados de vermelho.Em sua busca pelo novo na MPB, Rita segue revelando a seus fãs compositores importantes por dois motivos: fazem música de qualidade e não têm acesso ao grande público. Em Comigo, ela apresenta cinco novos nomes. Canta Uma Noite Sem Você e No Conforto dos teus Braços, do paraibano João Linhares, Contra o Tempo e Romântica, do mineiro Wander Lee. De seus conterrâneos, mostra Parangolé, de César Teixeira, Essa Dona, de Mano Borges e Alê Muniz, e A Riqueza, do "reggaeiro" Santacruz. As pesquisas de Rita baseiam-se na tese de que, como intérprete, ela pode abrir as portas do mercado para quem merece. Para realizá-las, utiliza seu site pessoal (www.ritaribeiro.com.br), que recebe letras e gravações. Não tem tempo para ouvir todas, admite, mas sempre que alguma canção desperta seu interesse, procura entrar em contato com o artista. Também vai a shows em casas noturnas. Por fim, ouve as indicações de seus parceiros. Santacruz, por exemplo, é maranhense. Rita não o conhecia. Foi apresentada a ele por Mazzola, o produtor de Comigo.Chorado - Na tentativa de propor uma paralelo entre o presente e o passado da MPB, Rita escolheu três canções clássicas para gravar no novo disco. Adaptou-as ao seu estilo. Em Você está Sumindo, de Geraldo Pereira e Jorge de Castro, misturou ao samba do compositor mineiro elementos do Lelê de São Simão, festa popular maranhense. Moça Bonita, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, foi transformada em tecnogira (mistura de música eletrônica com cânticos de terreiro). E ao suingue urbano de Caramba Galileu da Galiléia, de Jorge Ben Jor, "o compositor mais regravado do Brasil", anexou batidas do Bloco Tradicional Maranhense. Fecham o disco, como não poderia deixar de ser, Comigo e Não Tenho Tempo, de Zeca Baleiro e Nego Fogo, de Chico César. Ambos parceiros de longa data e que estiveram presentes em seus discos anteriores. Ficou faltando Antônio Vieira, sambista de sua terra que gravou anteriormente. Rita se explica dizendo que tem outros planos para o compositor. Quer fazer um disco dedicado a ele, mas ainda não achou quem tope bancá-lo.Para dar unidade ao trabalho, Rita não restringiu as colaborações. Zeca Baleiro produziu duas faixas. Mário Manga, que assinou a direção artística de Pérola aos Povos e Rita Ribeiro, Paulo Calazans e Tuco Marcondes também ofereceram seus préstimos. A variedade de parceiros, entretanto, não resultou, segundo a cantora, em um trabalho fragmentado. A proposta, desde o início, era fazer um disco autoral. Acha que ficou do seu jeito, que ele reflete o que está sentindo e pensando agora.Neste sábado, dia 23, ela deixa o estúdio no Rio de Janeiro para se apresentar em Niterói. No Teatro Municipal da cidade, acompanhada apenas do violão de seu parceiro Pedro Mangabeira, irá repassar as canções dos álbuns anteriores e adiantar algumas do novo disco. A turnê de divulgação de Comigo começa apenas em setembro, provavelmente em Buenos Aires, Argentina. O figurino que irá usar será assinado pelo estilista Lino Villaventura.

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