Patrícia Cecatti/Divulgação
Patrícia Cecatti/Divulgação

Rita Ribeiro encanta em comemoração de sete anos de Tecnomacumba

Cantora esteve acompanhada de Zeca Baleiro e Chico César; plateia do show tinha gente de todas as idades

Carolina Spillari, Estadão.com.br

05 de fevereiro de 2011 | 03h56

SÃO PAULO - Um clima de misticismo rondou o show de Rita Ribeiro na noite desta sexta-feira, 4, no HSBC Brasil em São Paulo. A cantora recebeu os amigos Chico César e Zeca Baleiro para um espetáculo, no mínimo interessante e cheio de detalhes. Rita comemora os sete anos do projeto Tecnomacumba, que segundo ela tem vida própria.

 

Na abertura do show, Rita trajava uma gabardine com estampa parecida às páginas de jornal do cenário sobre o palco, Rita Ribeiro cantou Saudação, um ponto da umbanda em homenagem ao orixá Tranca Rua das Almas. "Lá na porteira eu deixei um sentinela, eu deixei seu Traca Rua tomando conta da cancela", diz a canção.

 

Um pouco antes do início, o público aguardava ansioso. A personal trainner Katia Furlan, 36 anos, chegou acompanhada de um grupo de mais três pessoas, todos ligados a umbanda. Ganhou o primeiro CD no ano passado, e é primeiro show que assiste de Rita Ribeiro. Igualmente, pela primeira vez no show da cantora maranhense, a nutricionista técnica Luciana Martins, 47 anos, falou de seu respeito pela história dos orixás e sobre curtir a mistura de ritmos. Luciana, que afirmou ter crenças religiosas, foi assistir a apresentação com mais três amigos.

 

Por baixo da capa, Rita usava um vestido vermelho que lembrou a energia de uma pomba gira, a orixá que traz à tona a sexualidade da mulher. Na cabeça, tinha um cocar metálico. Logo cantou Moça Bonita, música sobre uma figura feminina que traja rosa cor de sangue, com uma cigarrilha na boca e conhece o bem e o mal de quem quiser amar.

 

Acaso. Silvana Buerger, 36 anos, comissária de bordo, soube de Rita Ribeiro por intermédio de uma amiga conhecida por convencer até os envagélicos da famíllia a escutarem Tecnomacumba. Ela resolveu que iria ao show, uma hora antes, quando acho um folder de divulgação em um bar.

 

A artista buscou levar o universo dos orixás para dentro do show. E para isso, foi original. Trouxe a figura de Xangô, o orixá da Justiça, e de Oxum, a dama da riqueza e das cachoeiras para o palco, interpretados por Nelceu Oliveira e Cridomar Aquino, em perfomances a caráter.

 

Zeca Baleiro fez a primeira aparição embalado por Domingo 23, de Jorge Ben Jor. "Olhar sereno de cavaleiro e justiceiro..." Depois vieram as músicas Jurema e Xangô, O Vencedor.

 

A banda de acompanhamento misturou música eletrônica, rock e percussão e foi formada por Lucio Vieira (na programação eletrônica e bateria), Alexandre Katatau (contrabaixo e vocais), Paulo He-Man (percussão), Pedro Milman (tecladista) e Israel Dantas (direção musical e guitarra).

 

Nesta celebração de sete anos de tecnomacumba, Rita disse ter entendido que as coisas tem um tempo certo para acontecer. "É respirar profundamente e ter calma", refletiu. Pouco antes do final do show, foi agradecendo aos parceiros de trajetória musical e de vida. O trio, formado Zeca Baleiro, Chico César e Rita Ribeiro, cantou Tempo de Caetano Veloso. Na sequência foi a vez de Iansã ser homenageada com A Deusa dos Orixás, e também Oxum.

 

Com Zeca, continuou a homenagem a Oxum. "Eu vi mamãe Oxum na cachoeira, sentada na beira do rio...", música de domínio público, de acordo com a cantora, sem um autor. Com sua irreverência, Chico César, apresentou uma nova canção que falava do catimbó, um ritmo nordestino. "Vai ter catimbó, vai ter catimbó...".

 

O público que compunha a plateia era todas as idades e as referências no canto ainda homenageavam as senhoras mais velhas com Cocada e as crianças com Cosme e Damião. Rita distribuiu dúzias de rosas vermelhas para o público e agradeceu a todos os deuses e deusas pelos sete anos Projeto Tecnomacumba. Deixa a Gira Girar e Cavaleiro de Aruanda encerraram o show após o pedido de bis de uma plateia emocionada.

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