Rio revive experiência do Movimento Armorial

Em 1970, o escritor Ariano Suassuna,preocupado com a perda das tradições populares da Paraíba (seuEstado natal) e de Pernambuco (Estado de adoção), criou oMovimento Armorial. Logo, músicos e artistas plásticos aderiramà sua idéia e começaram a mistura do erudito e popular em discose exposições. A partir desta terça-feira, 6, e todas as terças-feirasde março, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) revive essemovimento, com concertos de seus principais nomes, sempre às12h30 e às 18h30. O primeiro será com o Grupo Anima e orabequeiro Mestre Salustiano, como convidado especial, enfocandoos primórdios do movimento. O Anima mescla música ibérica medieval com o cancioneirobrasileiro e usa instrumentos dos dois estilos, misturando cravo rabeca, flauta barroca e viola caipira. Já lançou quatro discos. O mais recente, Espelho, do ano passado, será a base doespetáculo. Já Salustiano é considerado o patrono do mangue beate, segundo Suassuna, é a referência da cultura popularpernambucana. Aos 62 anos, comanda o grupo Sonho de Rabeca etambém está no quarto CD, sempre com composições próprias. Omais recente é Mestre Salu e Sua Rabeca Encantada e vários temasestarão no concerto de amanhã. Na semana que vem, o Grupo Gesta e o flautista e tocadorpífano Egildo Vieira lembrarão as músicas do Quinteto Armorial,grupo criado sob a inspiração de Suassuna, que fez o primeiroconcerto nos idos de 1970. Egildo era da formação original.Antônio Nóbrega é a atração do dia 20, com a aula/espetáculo Sola Pino, em que aborda a formação do artista popular brasileiro.Ele também foi integrante do Quinteto Armorial, mas, a partir de1976, partiu para uma bem sucedida carreira-solo, em espetáculosque misturam dança e música. A série fecha no dia 27, com oQuarteto Romançal, que vai na direção inversa do QuintetoArmorial, tocando música popular com instrumentos eruditos comoviolino, violoncelo e flautas. Ariano Suassuna, que completa 80 anos em 2007, deve virà estréia ou nas próximas terças-feiras, embora tenha assumido aSecretaria de Cultura de Pernambuco. Ele explica o movimento quecriou. "O Armorial foi lançado com o objetivo de procurar umaarte erudita brasileira baseada nas raízes populares de nossacultura", diz ele que em suas peças põe em prática essas idéias,com sucesso. Tanto que "Auto da Compadecida" é o texto nacionalmais montado por grupos profissionais e amadores. Mesmo assimele acha que é preciso mais atenção à cultura popular. "Tentávamos lutar contra o processo de vulgarização edescaracterização que ainda hoje está em curso contra o nossopaís e o nosso povo."

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