Rio comemora centenário da Portela

O centenário de Paulo Benjamim de Oliveira o Paulo da Portela, fundador da escola de samba que lhe empresta o nome e criador do desfile como o conhecemos, será no dia 18 de junho de 2001, mas a cidade já comemora. Na semana passada, o compositor Monarco, líder da Velha-Guarda da escola azul-e-branco, inaugurou, no Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio, a Roda de Bamba, que terá, até agosto, shows de Leci Brandão, Nelson Sargento e Nei Lopes. Até dezembro, haverá shows e exposições que se espalharão pela cidade, até Oswaldo Cruz, reduto da Portela e bairro da zona norte onde Paulo viveu.No início dos anos 20, a Mangueira, fundada por Cartola, Zé Espinguela e Carlos Cachaça, e a Deixa Falar, de Ismael Silva já usavam o nome de escola de samba para um desfile desorganizado, com as baianas fazendo um cordão que cercava a bateria e cantando várias músicas, incluindo os improvisos. Tudo ocorria na Praça 11, no centro da cidade. As ruas nobres eram para corsos e grandes sociedades em que saíam as famílias da classe média.Paulo da Portela reuniu os diversos blocos de sujo do bairro, na Vai como Pode, primeiro nome da Portela, e quis enobrecer o conjunto, dando-lhe unidade. Já em 1939, a escola contava uma história e cantava um samba-enredo, o primeiro a ser feito com esse objetivo, com o título de "Teste do Samba". A idéia agradou e todas as outras agremiações aderiram. Havia outras novidades: uma comissão de frente abria o desfile que tinha alegorias e um carro desenvolvendo o enredo. Os sambistas usavam suas melhores roupas, em busca do respeito da sociedade."Antes de ser moda, Paulo da Portela já pensava em cidadania", conta a diretora do MIS, Marília Barbosa. Ela é autora de biografias de Cartola, Pixinguinha e Silas de Oliveira e estreou nesse gênero exatamente com Paulo da Portela, biografia escrita em parceria com Lygia Santos, filha de Donga, autor do primeiro samba a ser gravado com esse nome, Pelo Telefone. "Paulo compôs cerca de 200 músicas, era um grande versejador, ou seja, improvisava no samba-de-roda, mas sua maior contribuição foi a dignidade que deu ao estilo e a organização que trouxe para escolas de samba e que é respeitada até hoje."Nem todas as inovações eram aceitas. A ligação com Heitor do Prazeres, famoso, despertou ciúme na Portela e culminou com a expulsão de Paulo em 1942. Nunca mais voltou à escola nem escondeu sua mágoa. Morreu em 31 de janeiro de 1949 e sua mulher, Maria Elisa, não permitiu que o corpo fosse velado na quadra da escola.Para o ano de seu centenário, em Oswaldo Cruz, o Centro Comunitário Paulo da Portela pretende abrir a comemoração no dia 2 de dezembro e levá-la até a mesma data em 2001, conta o diretor, Mozart Chalfun.

Agencia Estado,

17 de julho de 2000 | 16h34

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