Zach Cordner/Invision/AP
Zach Cordner/Invision/AP

Ringo Starr, à beira dos 75 anos, cheio de planos e a caminho do Brasil, fala do disco inédito

Baterista fala ao ‘Estado’ sobre novo disco, ‘Postcards from Paradise’; shows no Brasil ocorrem em 26 e 27 de fevereiro

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 03h00

Ringo Starr está animadíssimo, fazendo o sinal de paz & amor com os dedos até para PM da Tropa de Choque. Tem vários motivos para isso: o baterista dos Beatles, que festeja seus 75 anos em julho, vai receber prêmio pela excelência de sua carreira no Hall da Fama do Rock and Roll, em abril, em Cleveland (Ohio). Mas tem mais.

No dia 3 de março, segundo contou na tarde de segunda-feira ao Estado, por telefone, ele lança nos Estados Unidos seu 19.º disco solo, Postcards from Paradise (Cartões Postais do Paraíso). “Em 25 anos, é a primeira vez que faço um disco que foi composto, gravado, mixado, produzido e ensaiado com a mesma banda de estrada com a qual excursiono. Logo após o lançamento, farei algumas turnês de divulgação do álbum”, disse ao Estado o músico, visivelmente empolgado.

Ringo nunca tinha vindo ao Brasil para shows até 2011. De repente, adorou a experiência: em quatro anos, chega pela terceira vez ao País em fevereiro para dois shows aqui (dia 26 de fevereiro no HSBC Brasil, em São Paulo, e dia 27 no Vivo Rio, no Rio de Janeiro). Ele disse que já é possível que ele toque aqui Island in the Sun, uma das canções inéditas do seu disco, que tem ensaiado com a banda durante a turnê e que tem “um bom groove”, segundo contou.

Postcards from Paradise está distante 45 anos de Sentimental Journey, o primeiro álbum solo de Ringo, lançado em 1970 (na época, com arranjos de Quincy Jones, Elmer Bernstein e Paul McCartney e produção de George Martin). Agora, ele é o produtor. Ringo analisa o abismo entre um e outro trabalho. “Fiz Sentimental Journey para minha mãe e minha família, é um disco muito íntimo e feito para animar festas em minha casa. Era algo no qual eu examinava minha vida, olhava para trás, porque naquele momento os Beatles tinham se separado e eu fazia um balanço. O segundo disco, Ringo, já era mais uma abertura para as possibilidades musicais novas”, afirmou.

Ele só não foi tão paz & amor ao responder sobre o que aprendeu que George Martin na seara da produção musical. “George era incrível no estúdio, sempre tinhas boas ideias e era um músico completo. Mas, no início dos Beatles, ele mandava, então era ele que escolhia repertório e dava as ordens. Preferia que os Beatles gravassem canções de outros compositores, e nós dissemos não para ele. Queríamos gravar canções de Lennon e McCartney. Depois que ele entendeu isso, as ideias se tornaram colaborativas e aí então ele foi brilhante”, disse o baterista.

“Hoje em dia, é muito mais difícil fazer um disco, porque não há mais mercado para ele. Não há mais artistas que vendem 30 milhões de discos, só alguns conseguem essas façanhas. Mas eu ainda amo fazê-los, é um processo muito interessante. Esse novo álbum foi inteiramente produzido por mim mesmo e foi algo muito desafiador. Eu antes me limitava a compor as músicas e a tocá-las”, afirmou.

Uma das canções novas foi composta com o cunhado de Ringo, Joe Walsh, que participou da gravação. A banda com a qual Ringo vem ao Brasil é a mesma dos últimos anos: Steve Lukather (ex-Toto), Richard Page (Mr. Mister), Gregg Rolie (vocalista original da banda de Santana), Todd Rundgren, Gregg Bissonette e Warren Ham.

A banda estradeira de Ringo já é a mesma há três anos. Ela tem uma pegada de soft rock que já virou sua marca registrada. Ele excursiona com grupos all stars desde o final dos Beatles. Os músicos que integraram bandas anteriores sempre tocam um ou dois hits de seu grupo pregresso – como por exemplo a balada Broken Wings, megahit de rádio da banda Mr. Mister, cantada pelo seu líder, Richard Page, ou Africa, do Toto.

Ringo, cujo nome é Richard Starkey, ganhou esse apelido, Ringo, por usar muitos anéis (rings) no tempo em que integrou uma banda anterior aos Beatles, Rory Storm and the Hurricanes. Há três anos, no Brasil, ele contou que não tinha planos de gravar um álbum novo. Não só mudou de ideia como está adorando a ideia de ter canções inéditas.

Ele também colhe os resultados do sucesso de seu livro de fotos, Photograph (Genesis Publications), de 2012, seleção de flagrantes que fez ao longo da carreira. “Nós todos nos Beatles estávamos sempre fotografando, fosse nos bastidores ou da janela do carro, porque estávamos o tempo todo em movimento”, contou. 

Ringo tinha acertado dar uma entrevista de apenas 5 minutos. Passou alguns minutos, mas uma hora sua assistente, Elizabeth Freund, entrou na linha e avisou que tinha acabado. Ringo ainda fez piada. “Foi meio curta, não? Mas é a vida.”

Turnê do músico recomeça no dia 13, em Los Angeles

Um ano após apresentar-se com Paul McCartney na festa dos Grammys, Ringo Starr continua na estrada. Ele abre sua turnê 2015 no próximo dia 13 no Riverdome (em Bossier City, Los Angeles), e passa pelo Texas, pela Flórida, República Dominicana e por Porto Rico antes de chegar ao Brasil. 

Daqui, vai a Buenos Aires (onde toca no dia 1º de março), Santiago do Chile (Movistar Arena, no dia 3 de março), Bogotá (Bogotá Corferias, 6 de março) e Yucatán México (Coliseo Merida, 8 de março), além do Auditório Nacional da Cidade do México, no dia 10/3. “As plateias na América Latina são tão boas e tão adoráveis que a gente não via a hora de voltar”, disse o músico em dezembro, numa coletiva de imprensa. “A gente se diverte muito juntos, não queríamos que acabasse (a turnê)”, explicou. / J.M.

Ouça algumas canções da carreira solo de Ringo:

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