Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Ricco Antony realiza desejo antigo e retoma carreira como cantor em show

Famoso pelo trabalho nos bastidores, o produtor musical quer recuperar o tempo perdido

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2018 | 06h00

Um calote financeiro, por incrível que pareça, mudou positivamente a vida do produtor musical Ricco Antony. Antes que se pense que ele tem prazer em rasgar dinheiro, é preciso lembrar que foi no momento em que não recebeu o pagamento de um cantor sertanejo agenciado por ele que sua mente se abriu. “Foi diante de uma situação extremamente desagradável que parei e pensei: fiz tudo para todo mundo, escolhi sempre os melhores profissionais, aqueles que a arte me tocava, só não tinha até então escolhido o artista da minha vida, que era eu mesmo”, conta ele que, depois dessa iluminada autodescoberta, vai subir ao palco do Teatro Frei Caneca na noite de terça-feira, 28, para apresentar o show Ricco, SIM!, que conta com a direção de Lázaro Menezes, profissional do teatro musical que exibe rara sensibilidade para conduzir espetáculos.

A afirmação exaltada tem o sabor de libertação. Afinal, depois de décadas produzindo grandes estrelas (Bibi Ferreira, Miguel Falabella, Glória Menezes, Luana Piovani) e espetáculos premiados (Ensina-me a Viver, Meu Querido Charlie Brown), Antony vai trilhar o caminho pelo qual sua carreira deveria ter seguido desde o início, não fossem os afazeres de produção que aceitou abraçar. A função, no entanto, ajudou a montar o set list do show. “O repertório traduz de forma cronológica a trajetória da minha vida, músicas que cresci ouvindo e que falam de amor, beleza e as simples coisas da vida.”

Assim, o público poderá ouvir canções que vão do clássico ao moderno, de Ponteio, de Edu Lobo, a Feira de Mangaio, em que homenageia Bibi Ferreira e relembra Clara Nunes – sem se esquecer de hits atuais como Regime Fechado e Maus Bocados. O ecletismo se explica pelo histórico de Ricco Antony. Afinal, desde menino, ele se acostumou a ouvir música em casa, paixão dos pais. E, com 9 anos, depois de assistir ao primeiro show de sua vida – Meu Disfarce, de Chitãozinho e Xororó –, ele iniciou uma carreira de cantor, utilizando apenas a própria voz e o violão paterno. “Cantei em shows, festivais e rodeios”, conta. “Muitas vezes, nem me importava com dinheiro, queria apenas me apresentar.”

Ao mesmo tempo, o garoto começou a estudar teatro, estimulado por uma prima que já era atriz. A desinibição natural ganhava um contorno artístico, profissional. Os caminhos se abriam até que um desentendimento com o pai provocou uma ruptura com profundas consequências. Nessa época, Ricco mantinha contato com diversos grupos de teatro, com os quais exercia diversas funções. “Eu exibia uma agilidade e um raciocínio rápido, que me permitiram cultivar a desenvoltura necessária para pedir apoio a empresas, criando um relacionamento duradouro”, conta ele que, na época, estava com apenas 17 anos.

Mas, se há um momento na vida de Ricco Antony que se pode dizer definitivo foi aquele em que conheceu Bibi Ferreira. Foi durante a inauguração do Teatro Renaissance, em São Paulo, em 1999. “A empatia foi de cara”, relembra ele, iniciando um relacionamento profissional, que logo se tornou uma amizade que ainda persiste com a mesma intimidade. “A partir desse momento, comecei a produzir sem parar.”

A experiência lhe deu envergadura para abrir sua própria empresa, a Produto Final, em 2008. Cada vez mais, Ricco se afastava do palco e reinava nos bastidores, viabilizando shows, peças de teatro, premiações. O sucesso, porém, não conseguia preencher a lacuna que sentia em sua vida artística. Até finalmente levar o calote financeiro de um cantor sertanejo. “Foi diante de uma situação extremamente desagradável que percebi a falta que me fazia cantar.” E o vazio será finalmente preenchido na noite desta terça-feira.

Bibi Ferreira. ‘Com Bibi, vivi uma comunhão com a arte’, diz Ricco

Era 1999 e Ricco Antony foi escolhido para buscar Bibi Ferreira no aeroporto – ela participaria da inauguração do Teatro Renaissance. “Ela veio em minha direção. Eu a coloquei sentada no banco de trás do carro sem falar uma palavra. Até que ela pergunta: ‘Vamos para o hotel?’ Respondi que sim, fingindo firmeza e naturalidade. De repente, ela me pede: “Coloca a mão aqui no banco, filhinho, para eu apoiar a minha sobre a sua.”

Era o início de uma amizade que dura até hoje. “Ela fez com que eu me apaixonasse pela palavra”, conta Ricco. “Bibi me ensinou a ter requinte, primor, exigência e a criar uma autocobrança a fim de sempre oferecer o melhor ao público. Com ela, vivi uma comunhão com a arte.” 

SERVIÇO

​RICCO, SIM!

Teatro Frei Caneca. Shopping Frei Caneca. Rua Frei Caneca, 569, 6º andar. R$ 70. 3ª (28/8), 21h 

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