René Pape lança 'Gods, King & Demons', seu primeiro CD solo

Disco, lançado pelo selo Deutsche Grammophon, mostra o que faz de Pape o principal baixo de sua geração

João Luiz Sampaio, de O Estado de S. Paulo,

23 de dezembro de 2008 | 18h33

Deuses, reis, demônios. Não deixa de ser curioso que uma galeria tão fascinante de personagens não costume chegar ao topo da lista de árias e cenas de ópera favoritas do público. Uma explicação é que nem sempre - aliás, quase nunca - as histórias de amor que tanto fascinam o público recaem sobre eles; na maioria das vezes, é justamente o contrário, são eles que, nas óperas, tentam impedir a realização dos sonhos dos amantes. Outra diz respeito à voz que cabe a interpretação desses papéis - o baixo. São realmente raros os discos dedicados inteiramente a eles - e, nesse sentido, a divulgação do repertório acabaria limitada. Nada disso importa, no entanto, quando se tem um cantor de carisma e talento como René Pape - aí, grandes papéis e cenas encontram-se com um grande intérprete. E temos o melhor dos mundos. Veja também:Ouça trecho de 'Ella Giammai m'amo'  Esse é o caso de Gods, King & Demons, álbum de estréia do cantor alemão no selo Deutsche Grammophon. Pape já podia ser encontrado em registros importantes de DVDs e CDs, como o Tristão e Isolda do Metropolitan de Nova York ou a A Flauta Mágica gravada na Itália por Claudio Abbado. Agora, ganha disco solo, em que mostra exatamente o que faz dele o principal baixo de sua geração. O timbre é muito bonito, o alcance grave da voz jamais impede a manutenção da expressividade do canto. É o caso, por exemplo, do monólogo "Ella Giammai m’amò", do rei Felipe II, do Don Carlo de Verdi, em que é muito comovente a forma como mostra a luta entre dever e orgulho no coração do monarca espanhol - e, no outro rei do álbum, Boris Godunov (Mussorgski), o resultado alcançado é semelhante. Como o diabo, nas versões de Gounod e Berlioz para a história de Fausto, a voz ganha cores mais claras, na medida do repertório francês - estilisticamente, contribui muito a regência de Sebastian Weigle, ex-assistente de Barenboim em Berlim, figura em ascensão na regência internacional, à frente da Staatskapelle Dresden. Trechos de Rusalka (Janácek), Demon (Rubinstein) e Contos de Hoffman (Offenbach) e o deus Wotan de O Ouro do Reno, primeira das óperas da tetralogia O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, completam a coletânea.

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