Renato Braz: na maratona pós-Prêmio Visa

Não é mais tão simples encontrar Renato Braz como era antes de o cantor paulista vencer o recente Prêmo Visa de MPB - Edição Vocal. Seu disco, que recebeu como prêmio pelo primeiro lugar no festival, vem sendo gravado às custas de horas de labuta em estúdio. Assim que sair, em novembro, será o momento de se submeter a uma bateria de shows por São Paulo e cidades do interior. Dois shows neste fim de semana, hoje e amanhã, no Teatro do Sesc Pompéia, valem então como pré-estréia. O homem que chega a cantar olhando para baixo, tamanha a timidez, fará temas de seu recente trabalho, Outro Quilombo, e outros que grava para compor o novo disco que sai pela Gravadora Eldorado. Atenções especiais devem ser dadas à versão de A Saudade Mata a Gente, de Braguinha e Antônio Almeida. Renato Braz deixa o estúdio por dez minutos para atender a um telefonema da reportagem. "Pois é, estamos na correria." E fala em frases curtas sobre a fase pós-Visa, como se não houvesse mesmo o paraíso que todos os participantes de um concurso esperam encontrar. "Estou trabalhando muito, como trabalhava antes. Mas sinto que começaram a aparecer mais oportunidades para fazer shows." A platéia também tem sido renovada. "É engraçado. Há pessoas mais novas que não via antes no meio do público." Braz, aos 34 anos, é um operário de suas canções. Nome familiar aos que freqüentam o Bar Las Artes, em Pinheiros, não teve moleza desde a infância pobre. Os R$ 100 mil que recebeu como parte do prêmio por ter vencido o Visa serão usados para a compra de uma casa, já que sempre pagou o aluguel de um apartamento e mais as contas do mês com o dinheiro que tirava com as andanças por bares na noite de São Paulo. Sua conquista teve valor ainda sentimental. Senhor Antônio, o pai que lhe ensinou a gostar de música colocando discos de Luiz Gonzaga na vitrola, morreu de insuficiência respiratória dois dias antes da final do concurso. Mas, para não influenciar o júri, o cantor preferiu não revelar o fato ao público. Nem precisou. Foi o vencedor não só para os especialistas que o elegeram como para a platéia, que o escolheu quase que por unanimidade. Em 1997, Braz lançou seu primeiro disco pelo selo Atração, trabalho indicado ao Prêmio Sharp na categoria revelação. História Antiga, a segunda investida, veio em 1998, quando teve ao lado Dori Caymmi, que veio de Los Angeles especialmente para participar de seu show de lançamento. Seus companheiros de sempre, que estarão no palco para os shows de hoje e amanhã, são o baixista Sizão Machado, o percussionista Bré e o violonista Mário Gil. Renato Braz - Hoje e amanhã, às 21h. Teatro do Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93. tel.: 3371-7700) Ingressos: de R$10.

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