Def Jam / ATO / Parlophone-Atlantic / Interscope-Decca-Hajanga / Columbia Records / Warner / Republic / Republic via AP
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Relegadas durante muito tempo no Grammy, mulheres do rock conquistam seu espaço

Pela primeira vez, a categoria de melhor interpretação rock - introduzida em 2012 - tem apenas mulheres indicadas: Fiona Apple, Phoebe Bridgers, o grupo das irmãs Haim, Brittany Howard, Grace Potter e Big Thief

Maggy Donaldson, AFP

11 de março de 2021 | 17h44

NOVA YORK, EUA - Durante muito tempo, as categorias dedicadas ao rock no Grammy eram dominadas pela testosterona, mas este ano as mulheres tomaram conta do microfone. 

A mudança será evidente na cerimônia de entrega da premiação no próximo domingo, poucos anos depois do ex-presidente da Recording Academy Neil Portnow ter sido criticado por afirmar que as mulheres deveriam "dar um passo à frente" para alcançar uma representação justa na indústria da música. 

Pela primeira vez, a categoria de melhor interpretação rock - introduzida em 2012 - tem apenas mulheres indicadas: Fiona Apple, Phoebe Bridgers, o grupo das irmãs Haim, Brittany Howard, Grace Potter e Big Thief, a banda liderada por Adrianne Lenker.



Lenker, Apple, Howard e Bridgers também estão na disputa pela melhor canção de rock, enquanto as três últimas também foram indicadas a melhor álbum alternativo. Potter soma outra indicação a melhor álbum de rock.

As mulheres moldaram a evolução do rock, como foi o caso da pioneira do blues Big Mama Thornton, a primeira artista a gravar Hound Dog, canção seminal e muito associada a Elvis Presley.

Mas desde a metade do século XX, a imagem do gênero foi monopolizada pelos homens, afirma Evelyn McDonnell, pesquisadora especializada em cultura pop, música e gênero.

"Você realmente via a divisão: o que os rapazes faziam com as guitarras era rock, e o que as garotas com penteados faziam era Motown ou pop", afirma a professora da Universidade Loyola Marymount. "Existe toda uma forma sexista na qual o rock é definido como homens brancos com guitarras".


 

Pequenos passos

As mulheres, no entanto, sempre foram muito influentes no gênero musical: Patti Smith, Kim Gordon, Stevie Nicks e Debbie Harry são apenas algumas referências. 

Fionna Apple viu seu álbum de 2020 Fetch The Bolt Cutters aclamado pela crítica - o site Pitchfork o considerou uma "obra-prima".

 


Durante grande parte da história do Grammy, os prêmios de rock foram divididos por gênero, com exceção de alguns anos em que a Academia alegou falta de interpretações femininas.

Desde a cerimônia de 2012, a Academia eliminou por completo as distinções, tanto no rock, como no pop, R&B e country.

Desde então, apenas uma mulher venceu na categoria de melhor interpretação de rock: Brittany Howard, que venceu como cantora do grupo Alabama Shakes em 2015.

A Academia foi acusada durante muito tempo de priorizar a arte de homens brancos, mas nos últimos anos parece ter dado pequenos passos de mudança.

E não apenas no rock: em 2021 as mulheres também dominam as categorias da música country, gênero tradicionalmente considerado conservador e machista.

Quatro mulheres disputam a categoria de melhor álbum country, ao lado de um grupo misto.

E o mundo do rap, estereotipado durante muito tempo como um clube de homens, também foi abaldo pela ascensão de várias mulheres.

Cardi B venceu na categoria álbum de rap em 2019 e Megan Thee Stallion foi indicada em quatro categorias este ano, incluindo artista revelação.


 

Um longo caminho a percorrer

Apesar dos avanços, a poucos dias da cerimônia deste ano - que acontecerá em grande parte de maneira virtual devido à pandemia -, um novo estudo da Universidade do Sul da Califórnia mostra que a presença da mulher no setor ainda encontra muitas dificuldades. 

As artistas femininas representaram quase 20% dos maiores sucessos da Billboard em 2020, participação um pouco menor que os 22,5% de 2019. Dos quase 2.000 artistas que lançaram as 900 canções que integram a lista eram pelo menos quatro homens para cada mulher. 

O estudo também examinou as indicações ao Grammy entre 2013 e 2021: dos 1.359 indicados apenas 13,4% eram mulheres, mas a proporção de indicadas cresceu significativamente de 2020 para 2021, a pouco mais de 20%.

Mas os escândalos que sacudiram a Academia recentemente também afetaram seus esforços de mudança de imagem: ano passado sua primeira presidente, Deborah Dugan, foi demitida por suposto assédio moral. Ela afirma que foi afastada por suas queixas por supostas irregularidades nas votações e denúncias de assédio sexual.

A Academia anunciou um estudo em conjunto com uma universidade para analisar a representação da mulher na indústria, com dados destinados a melhorar a prestação de contas e facilitar reformas.

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