Regente em Los Angeles recupera música perdida no Holocausto

Os nazistas destruíram suas vidas,esmagaram suas almas e queimaram sua música. Hoje, mais de 60 anos após o fim da 2a Guerra Mundial, umregente norte-americano quer restaurar a música perdida doHolocausto, e seus compositores, antes que a história seesqueça deles. James Conlon, maestro da Ópera de Los Angeles, lançou noano passado um programa intitulado "Vozes Recuperadas", visandoapresentar ao púbico obras de uma geração perdida decompositores. Algumas pessoas questionaram a necessidade do programa de 5milhões de dólares, mas agora a cidade inteira parece estaraplaudindo.Duas óperas de um ato, "O Anão" (Der Zwerg) e "O JarroQuebrado" (Der Zerbrochene Krug) estrearam em fevereiro e foramaclamados pela crítica. O silêncio inicial do público virou umaprolongada ovação em pé. Mas os aplausos chegaram tarde para os compositores,Alexander Zemlinsky, que morreu no exílio em Nova York, falidoe esquecido, e Viktor Ullmann, morto na câmara de gás emAuschwitz. Em entrevista à Reuters, Conlon, 57, disse que uma perguntafeita sobre o projeto foi: "Por que ele estava se dando aotrabalho de recuperar essas obras?" Segundo ele, é porque a música era de tão alta qualidadeque merecia ser ouvida, novamente, na opinião de Conlon, ouporque era hora de o mundo musical reconhecer os compositores,em sua maioria judeus austríacos e alemães, silenciados pelosnazistas. "O Anão" é a história de um anão feio, mas de alma nobredado de presente de aniversário a uma princesa espanhola, que ovê como seu brinquedo. Cruel, ela o obriga a olhar no espelho pela primeira vez.Horrorizado ao ver seu reflexo, o anão morre. A princesalamenta momentaneamente a perda de seu "brinquedo", mas entãoretorna ao baile de seu aniversário. "Vejo 'O Anão' como uma das grandes óperas do século 20, eZemlinsky como um dos grandes compositores do século", disseConlon, 57 anos. Membro importante do círculo do compositor Gustav Mahler,Zemlinsky teria composto a ópera de 1921 devido a sua própriaestatura baixa e aparência feia. Já a peça de Ullman é uma sátira ligeira criada pelocompositor tcheco dois anos antes de ser enviado ao campo deconcentração de Terezin, conhecido como "showroom" porque osnazistas o usavam para mostrar ao mundo que os judeus estavamsendo bem tratados. Mais tarde, foi enviado a Auschwitz. Paradoxalmente, observou Conlon, as 20 obras compostas porUllman nos campos de concentração foram salvas, enquanto muitasde suas composições anteriores à guerra se perderam. De acordo com o maestro, os nazistas destruíram tantasvozes "que não restou ninguém na Alemanha que conhecesse a obradeles".

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