Reco-Head comemora quatro anos com festa roqueira

Em quatro anos de existência, que vãoser comemorados nesta quinta-feira em clima de festival no Blen Blen, o selo Reco-Head emplacou algumas bandas bacanas criadas em São Paulo, além de um dos melhores álbuns da revigorada Elza Soares(Vivo Feliz). Em seu catálogo figuram bons títulos do JumboElektro, Seychelles, Paumandado, os projetos de músicaeletrônica Mugomango, Cérebro Eletrônico e Labo, entre outros.Quase tudo é produzido na base da ação entre amigos, mas comengenhoso senso profissional. Suas mais recentes investidas sãoos trabalhos de estréia de Fábio Góes (Sol no Escuro), dabanda Druques (com o CD homônimo), e Arthur Joly ApresentaJamJolie Orquestra, que tocam nesta quinta-feira no Blen Blen. O mentor de tudo isso é o múltiplo Arthur Joly, produtor arranjador, compositor, cantor etc., que decidiu criar oReco-Head como alternativa ao que não encontrava - como legiõesde outros artistas - nas multinacionais. "Mandava as demos paraas gravadoras, mas não rolava nada. Aí resolvi criar o selo, queé o lado artístico da minha produtora de som, e vi que davaprazer fazer isso. Ganho a vida com publicidade. Até hoje nãoobtive lucro e tudo o que ganho invisto no selo", diz. Consciente de que cada vez menos os consumidores compramCDs, Arthur pretende investir mais na venda de música em formatoMP3, com a diferença da qualidade técnica que não se encontra namaioria dos arquivos baixados de graça na internet. Os trêsálbuns citados acima estão disponíveis inteiros no site www.recohead.com.br. Ele põe fé no potencial do Ipod e da telefoniacelular, mas também vê como alternativa física para a música avolta aos discos de vinil. "Vejo essa tendência crescer entremúsicos, muita gente comprando pick-ups e procurando em sebosdiscos que não saíram em CD. Como objeto, o vinil é o negóciomais legal de música, e a gente vai lançar alguns álbuns nesseformato também", diz. "O desafio é transformar isso numa coisaque dê lucro." Dentro do sistema coletivo de produção, Arthur acabaparticipando de um jeito ou de outro no trabalho de todas asbandas em que aposta. Marcelo Ozório e Tatá Aeroplano, quetambém se multiplicam em diversas funções além de integrar oJumbo Elektro e o Cérebro Eletrônico, têm participação naacolhida de novas bandas. É um comportamento que reflete grandeparte da cena roqueira e eletrônica de São Paulo. "Tem muitagente trabalhando hoje com a consciência de que dá para produzircoisas legais, cada vez menos mambembes, sem se submeter àsestruturas antiquadas das gravadoras", aponta Arthur. Para umdos maiores problemas enfrentados pelos independentes, o dadistribuição, a Reco-Head buscou solução com a Tratore. Uma das características dos grupos de pop-rock que oselo abriga é a anarquia estética, sem vínculos com fórmulasdelineadas, às vezes com um pé no retrô, sem dispensar oingrediente do bom humor. Poderia estar falando do Jumbo Elektro mas isso tudo está no divertido CD "Arthur Joly Apresenta JamJolie Orquestra", que revela influências beatlemaníacas viaJovem Guarda e outros ícones dos anos 60, como Kinks, Monkees eOs Incríveis, que Arthur admira. Igualmente despretensiosos, os Druques, de BragançaPaulista, também entram nessa atmosfera retrofuturista, fundindoguitarras e recursos eletrônicos, com influências de Beatles,soul sessentista, MPB tradicional e Sigur Rós, entre outros.Estreando solo, Fabio Góes é um ex-Paumandado (que fazparticipação no CD, como Céu e Ed Côrtes), que comparece com omais bem-elaborado dos três lançamentos. Gestado durante cincoanos e introspectivo na maior parte, "Sol no Escuro" tem belascanções de sua autoria, algumas em clima meio etéreo, outras comacento folk ou com leve suingue e variações jazzísticas, além definas ironias. Reco-Head. Blen Blen(600 pessoas). Rua Inácio Pereira da Rocha, 520, tel. (11) 3815-4999. Amanhã, às 23 horas. R$ 25

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