Recife vai sediar a 1.ª Feira Música Brasil

O Ministério da Cultura e a Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) têm grandes expectativas para a 1.ª Feira Música Brasil, que ocorre de 7 a 11 de fevereiro no Recife. O encontro, a exemplo do Middem, realizado anualmente em Cannes desde os anos 50, deve reunir cerca de mil participantes, entre artistas, produtores, empresários de shows e de gravadoras, para discutir seus problemas e, principalmente, fazer negócios. "No Middem costumamos fazer US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 3 milhões) em negócios que são fechados no decorrer do ano", disse o presidente da ABMI, Carlos de Andrade. "Aqui, esperamos alcançar ou duplicar essa quantia." A idéia é, em vez de levar brasileiros a feiras de música que ocorrem na Europa e nos Estados Unidos, trazer os empresários ao Brasil, para conhecer melhor o País que produz essa música. O ministro Gilberto Gil é habitué desse tipo de evento no exterior e, como artista, o melhor exemplo do ideal a ser alcançado. Afinal, com quatro décadas de carreira, dezenas de clássicos e milhões de discos vendidos, ele é dos poucos artistas, mesmo brasileiros, cuja música é tocada no mundo inteiro e não só em emissoras e festivais étnicos. "A música brasileira é uma das mais fortes no mundo, talvez a única que domine 80% do seu próprio mercado, e tem chances de crescer aqui e no exterior", disse o ministro em seu discurso. "Mesmo assim, está aquém das possibilidades, especialmente num momento em que a tecnologia muda as formas de produzir, divulgar e consumir a música. Mas mudança é sinônimo de oportunidade e por isso vamos reunir todos os elos da cadeia produtiva da música para identificar quem somos e do que precisamos." O evento é patrocinado pela Petrobras e promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que pretende medir lá a possibilidade de financiar projetos na área da música, como já ocorre no cinema. A chefe do departamento de Economia da Cultura do banco, Luciane Gorgulho, avisa que, além disso, o BNDES vai tentar fazer a ponte entre os produtores e os empresários dedicados à música. O evento terá shows espalhados por todo o Recife e Olinda, palestras com especialistas brasileiros e estrangeiros, e uma feira com estandes nos quais os profissionais de música (gravadoras, editoras, fabricantes de instrumentos, etc.) vão oferecer seus produtos. A escolha do Recife e a data do evento foram definidas em função da proximidade do carnaval e também do centenário do frevo. "É um gênero que existe há mais de um século, mas usamos como marco a primeira vez em que a palavra foi impressa num jornal pernambucano para identificar a música local", explicou o secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe. "Além disso quem vier para a feira, pode ficar para o carnaval, que ocorre na semana seguinte, 18 de fevereiro."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.