Rec-Beat traz mais do que rock do Recife para SP

Festival que ocorre em paralelo ao famoso carnaval do Recife traz suas atrações por três dias ao Sesc Pompéia

Livia Deodato, de O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2009 | 14h16

O Rec-Beat já se tornou tradição no Recife, tanto quanto o Galo da Madrugada. A afirmação vinda de Antônio Gutierrez, idealizador do festival que acaba de completar 14 anos (contra 31 do bloco carnavalesco que arrasta multidões todos os anos), pode ser comprovada ao contabilizar o público desta edição: entre 8 mil e 20 mil pessoas nem ligaram para a chuva que caiu sobre grande parte do nordeste neste carnaval e foram curtir o melhor da música pernambucana nos dias de folia. Programação que também adicionou nomes de destaque da cena ibero-americana, com os quais Gutie (como é mais conhecido) vem tomando contato há cerca de três anos em andanças para discutir o mercado e a produção de cada um desses países.   Pois bem: um pouquinho do que foi mostrado na capital pernambucana antes das cinzas de quarta-feira será trazido para cá. Até amanhã, no Sesc Pompeia, ocorre uma versão reduzida do Rec-Beat, mas que em nada tem de proporcional quando se fala em qualidade. Hoje, às 21 h, apresenta-se a pernambucana Catarina Dee Jah, que parece ter encontrado a medida exata da mistura do kuduro com o despretensioso tecnobrega, seguida pela banda colombiana Bomba Estereo, que abusa de batidas eletrônicas somadas a ritmos regionais como a cumbia, bullerengue e champeta.   Sexta será a noite dos DJs latinos - o já consagrado DJ Dolores, cuja apresentação será focada em seu álbum mais recente, 1 Real, vai esquentar a Choperia para logo depois dar espaço ao chileno Original Hamster, codinome de Vicente Sanfuentes, que não tem medo de fazer apostas desde o funk até o folk.   "Há cerca de três anos, realizamos uma versão do Rec-Beat em São Paulo, mas foi fora de época e com atrações diferentes das que tínhamos levado para Recife. É a primeira vez que iremos aproveitar o rescaldo e continuar o carnaval por aqui", diz Gutie, que foi parar no Recife há cerca de 20 anos como correspondente do jornal Gazeta Mercantil e não saiu mais de lá.   O outrora jornalista e atual agitador cultural acredita que a edição paulistana vai tanto ajudar a esclarecer a errônea interpretação que limita o Rec-Beat como um festival de rock, como oferecerá atrações inesperadas para quem não pôde sair de São Paulo durante o feriado. O festival patrocinado pela prefeitura do Recife será viabilizado por aqui graças ao Sesc. "O Rec-Beat nasceu sob o conceito multicultural, nunca fomos focados no rock. É uma grande celebração que visa a oferecer música de qualidade, mas que geralmente não encontra espaço para ser ouvida", sentencia Gutie.   O festival, cujo título é uma abreviação de Recife e hifeniza com a batida na língua inglesa, espera alcançar por aqui a mesma credibilidade que conquistou na terra de Chico Science e Cordel do Fogo Encantado. Nunca ouviu falar em tal banda? O espírito é arriscar. Você não vai se arrepender.   Confira a programação:   Hoje,  26 - 21h Desorden Publico (Venezuela) + Julia Says (PE - Brasil) Sexta, 27 - 21h BombaEstereo (Colombia) + Catarina de Jah (PE - Brasil) Sábado, 28 - 21h Original Hamster (Chile) + Dj Dolores (PE - Brasil)   Rec-Beat.SP. Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, Pompeia, telefone 3871-7700. Quinta, sexta e sábado, às 21 horas. Ingressos R$ 20 a R$ 5        

Tudo o que sabemos sobre:
Rec-BeatSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.