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Rec-Beat ganha mais peso com a música eletrônica e instrumental

20ª edição do evento realça a força da influência africana

Lauro Lisboa Garcia - ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 03h00

RECIFE - A diversidade do Carnaval Multicultural do Recife abre espaço para todo tipo de música pop, mas a fórmula vem patinando na mesmice. Dentro da programação, mas com autonomia para experimentar, o festival Rec-Beat mais uma vez destoou do óbvio, em sua 20.ª edição, de sábado a terça. Entre nomes consagrados e revelações - como Luiz Melodia, Man or Astro-Man?, Thiago Pethit, DJ Dolores, Juçara Marçal, Mombojó, Jam da Silva, Marquise Knox, Keziah Jones - a edição ganhou mais peso com a música eletrônica e instrumental dançante latino-americana e brasileira e, principalmente, realçou a força da música de influência africana. 

Curiosamente, um pioneiro instrumento dessa vertente ganhou lugar de destaque: o theremin. Esteve presente nos shows dos sergipanos da Coutto Orquestra (que fazem um misto de cumbia, reggae e marujada com ares de música balcânica), do Man or Astro-Man? (sucessão bombástica de temas de surf-punk-rock), do argentino Axel Krygie e de Dorit Crysler. O som do instrumento ainda apareceu sutilmente nas programações comandadas por Bruno Buarque no show de Lucas Santtana. 

Austríaca radicada nos EUA, Dorit fez uma das apresentações mais ousadas do festival, tocando sozinha o theremin, além de comandar as programações de seu computador, e cantar belamente um estilo de música contemplativa. O nigeriano Keziah, dono de voz peculiar, também se garantiu sozinho no palco, acompanhado apenas de sua guitarra, tocando um misto de blues, funk, soul e ritmos africanos. 

Outro show nada “fácil” (e igualmente bem-sucedido) infiltrado numa festa como o carnaval foi o de Juçara Marçal, com o repertório de seu álbum Encarnado ao som de cordas eletrificadas, com muita distorção em harmonia com sua imensa voz. Carismáticos, Lucas Santtana e Russo Passapusso representaram a modernidade da Bahia, bem como seus vizinhos sergipanos, mesclando ritmos brasileiros e universais em shows bombásticos e inteiramente dançantes. Thiago Pethit se jogou de corpo e voz num dos melhores shows do evento, pegando no rock com força total, e até desceu do palco para beijar alguns fãs na boca. 

Boas surpresas, porém, não necessariamente estão ligadas às novidades sonoras. O jovem guitarrista americano Marquise Knox, de 23 anos, arrebatou o público que lotou o Cais da Alfândega tocando e cantando blues tradicional com um vozeirão impressionante. Da ala pernambucana, o Mombojó arrastou uma legião de fãs e contou com participação do franco-espanhol Manu Chao. A elegância em pessoa, Luiz Melodia mesclou canções recentes com clássicos, como Magrelinha e Congênito, além de tirar do baú a tocante Salve Linda Canção Sem Esperança.

Um dos shows mais impressionantes foi o de Lucas e a Orquestra dos Prazeres, também pernambucano, apontado como discípulo de Naná Vasconcelos, que se baseia nas mesmas matrizes da cultura afro-brasileira ligadas ao candomblé, como seu conterrâneo. Com 30 pessoas no palco (um contrabaixo, uma viola caipira e os demais instrumentos de percussão), Lucas foi ousado ao abrir a apresentação com seu canto a capela, mas o impacto maior veio quando entrou o som dos tambores. É o tipo de show que só acontece dessa forma no Rec-Beat, pela configuração do espaço, pela qualidade técnica do som e pela valorização do visual, com vídeos impactantes e criativos da cineasta Milena Sá. É a marca da exclusividade fazendo valer a pena viajar até lá.

SOBE

Coutto. Com acordeom, trompete, theremin e programações eletrônicas, a Coutto Orchestra traz álbum Eletro Fun Farra dia 6/3 ao Sesc Pompeia

DESCE

Jam. O bom trabalho de Jam da Silva não repercutiu tanto entre o público, ao entrar depois do show de Thiago Pethit

O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA PRODUÇÃO DO FESTIVAL

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