Reaberta no Rio a Sala Cecília Meireles

A Sala Cecília Meireles, o mais tradicional espaço erudito do Rio, reabre em 1.º de setembro, depois de cinco meses de reforma e nove de fechamento. De casa arrumada, a secretária estadual de Cultura do RJ, Helena Severo, anunciou a programação até o fim do ano, visando a enfrentar a falta de público, o principal problema da música de concerto no mundo inteiro. No ano passado, a Cecília Meireles, com 835 lugares, recebeu cerca de 30 mil pessoas, durante dez meses (dois são de recesso), uma média de 150 por concerto."O adulto só consome cultura se criou o hábito na infância e, por isso, vamos elaborar programas didáticos que atinjam também o professor, o verdadeiro motor dessas ações" disse Helena Severo no lançamento da programação na segunda-feira passada. "Assim como temos programas específicos para cinema, artes cênicas e literatura, vamos ter também um para artes plásticas."Segundo o diretor da Sala, o compositor Ronaldo Miranda, não só o público diminuiu quantitativamente, como a faixa etária subiu para 40 anos. "Essa questão vem sendo discutida até em congressos internacionais. Mesmo Pierre Boulez , na França, prefere espaços como o Museu de Orsay, com 200 lugares, porque enchem outro com 2 mil poltronas."Fechar a Sala espaço por nove meses não melhora essa situação, mas as obras não podiam esperar. "A última grande reforma ocorreu em 1989, na gestão do Henrique Morelembaum", explica Miranda. "As trilhas que prendiam as placas de eucatex eram de madeira e estavam comidas por cupim. Mudamos o suporte para metal, gastando cerca de R$ 265 mil. Agora, só falta a pintura das fachadas frontal e lateral, mas não é urgente como as obras já realizadas."A Cecília Meirelles reabre com um concerto da Orquestra Petrobras Pró-música, regida por Roberto Tibiriçá, com solos do pianista João Carlos Cochiarelli e da soprano Rosana Lamosa. Em 15 de setembro, apresenta-se a Orquestra Mozarteum de Salzburgo e, na semana começa o festival Chorando no Rio, promovido pelo Museu da Imagem e do Som. Em outubro, será a vez da Bienal de Música Contemporânea e da ópera brasileira Domitila, de João Guilherme Rippes, com a soprano Ruth Staerke. Em novembro, o Festival Villa-Lobos, e o ano termina com o 2.º Panorama Internacional do Violão.Ao contrário do Theatro Municipal, administrado por uma fundação, e com elencos próprios de balé, música sinfônica e canto, a Cecília Meireles é uma das 20 unidades da Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj). O prédio data do século 19, quando era o Grande Hotel da Lapa. Em 1965, o governador Carlos Lacerda inaugurou-o como espaço de concertos e desde então, artistas importantes como, Andrés Segóvia, Jean-Pierre Rampal, Paco de Lucía, Nelson Freire e Naná Vasconcellos, apresentaram-se lá.Os músicos a elegem por causa da acústica privilegiada, do charme e por ter o tamanho exato, não é grande como o Theatro Municipal, com 2.300 lugares, nem pequena como auditórios de centros culturais. "Essa é uma deficiência do Rio. Faltam espaços para espetáculos de tamanho intermediário e a Cecília Meireles é nossa única sala para concertos sinfônicos", observa Miranda.Ingressos - Helena Severo anunciou também que a Secretaria de Cultura , até o fim do ano, vai subsidiar ingressos para espetáculos de artes cênicas, música erudita e filmes nacionais. "Vamos dispor de 40 mil ingressos que o público vai comprar por R$ 1,00 e o Estado complementa com R$ 9 para o produtor", prometeu a secretária.

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