Ray Brown viveu toda mudança do jazz

Morreu ontem em Indianápolis, Estados Unidos, o baixista americano Ray Brown, lenda do bebop. Brown, de 75 anos, morreu enquanto dormia. Ele esteve em São Paulo há dois anos, fazendo uma apresentação memorável no Free Jazz Festival.Ray Brown, para dizer o mínimo, era uma testemunha-chave de todas as grandes transformações do jazz. Tocou com Dizzy Gillespie, acompanhou Ella Fitzgerald (com quem foi casado durante quatro anos) e Billie Holiday e esteve na base da formação do Modern Jazz Quartet. Também trabalhou com o pianista canadense Oscar Peterson e ajudou a fundar o LA4, grupo que disseminou uma sofisticada visão do latin jazz.Sua fase de maior atividade foi entre os anos 40 e 60. Em 1945, ele se juntou em Nova York à big band de Dizzy Gillespie e tocou com Charlie Parker e Bud Powell. Em 1948, deixou Gillespie para formar seu próprio trio, com Hank Jones e Charlie Smith.Entre 1947 e 1951, rodou o mundo com o trio de Ella Fitzgerald. Depois, passou 15 anos acompanhando o pianista canadense Oscar Peterson, até fixar residência em Los Angeles. Tocou com Frank Sinatra, Tony Bennett, Billy Eckstine, Coleman Hawkins, Sarah Vaughan e Peggy Lee, entre outros.O Modern Jazz Quartet, que Brown ajudou a fundar - como uma derivação da seção rítmica da banda de Dizzy Gillespie - foi um dos mais duradouros e renovadores grupos do gênero jazzístico.Nascido em Pittsburgh, na Pensilvânia, em 1926, Brown começou na carreira tocando piano. Mas achou que tocar baixo poderia ser mais fácil que piano, e trocou de instrumento. Ainda no colegial, integrou o grupo Jimmy Hinsely Sextet, com o qual excursionou durante seis meses. Depois, participou do grupo de Snookum Russell, saindo tempos depois para tornar-se músico free lance em Nova York. Foi então que conheceu Gillespie.Durante seus anos em big bands, ele descobriu o supergrupo Jazz at the Philharmonic (cujo nome surgiu de um concerto no Philharmonic Theater de Los Angeles, em 1944), e foi descoberto simultaneamente pelo líder da banda, Norman Granz. Ele então passou a excursionar com o conjunto, tocando durante 18 anos na Europa, Leste Europeu e Estados Unidos. Foi ali que conheceu Oscar Peterson.Ele se juntou ao trio do pianista canadense e tocou com eles até sua dissolução, em 1966. Nos anos 60, Brown compôs uma canção famosa, Gravy Waltz, que viria a tornar-se tema do programa Steve Allen Show e lhe rendeu até um Grammy.A Telarc editou uma série de discos com Brown tocando com amigos. Em 1994, saiu Some of My Best Friends Are... The Piano Players. Os amigos pianistas eram Oscar Peterson, Ahmad Jamal, Benny Green, Geoff Keezer e Dado Moroni. Em 1995, saiu Some of My Best Friends Are... The Sax Players. Outra legião de celebridades: Benny Carter, Jesse Davis, Stanley Turrentine, Joshua Redman, Ralph Moore e Joe Lovano nos saxofones, além de Greg Hutchinson na bateria e Benny Green no piano.Em 1998, a Telarc lançou Some of My Best Friends Are... Singers. Aí, entrou em cena a nata dos microfones: Diana Krall, Etta Jones, Kevin Mahogany, Dee Dee Bridgewater, Nancy King e Marlena Shaw. Os saxofonistas Antonio Hart e Ralph Moore, o guitarrista Russell Malone, o pianista Geoff Keezer e o baterista Greg Hutchinson completaram o time.

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