Rave leva à Amazônia gigantes da música eletrônica

O ano de 2001 servirá como um divisor de águas para a música eletrônica no Brasil. Depois dos sucessos de festivais como Megavontz e Skol Beats, realizados em São Paulo, agora é a vez da Ecosystem 1.0 atrair pessoas de todo o mundo, divulgando o País como ponto de parada para os fãs do som eletrônico. A festa, patrocinada pelo governo do Estado do Amazonas, é organizada pelo top DJ Carlos Slinger, da gravadora norte-americana Liquid Sky Records, em aliança com o Greenpeace.O festival será realizado de 2 a 5 de agosto, em plena Floresta Amazônica. Uma pedreira desativada de 360 mil m2, riachos e cachoeiras servirão de palco para o megaevento, que vai juntar mais de 66 nomes de vários genêros, entre DJs, MCs e shows ao vivo, pelo preço de R$ 5. Quem não puder ir, poderá acompanhar tudo pelo Internet, em tempo real.Bambas das picapes - Gente das mais variadas nacionalidades virá tocar: alemães, como Air Liquide, os indianos do State of Bengal, os ingleses Bryan Gee e Jumping Jack Frost e japoneses, como Ken Ishii e Krush. Até a Rússia está representada pela Spacegirl, assim como a Suécia, com Z-MC.As presenças de peso são os americanos (26 ao todo), entre eles, DJ Spooky, Afrika Bambaataa, um dos fundadores do hip-hop, Cyberslam, com Trixie do Crystal Method e DJ Dimitri, do Dee-Lite. E os brasileiros aproveitarão para divulgar seu trabalho.Estarão presentes Marcelo D2 e Zé Gonsalez, do Planet Hemp. Também se apresentam Nação Zumbi e o pernambucano Otto. Da cena clubber, estão Mau Mau e Renato Cohen. O drum n´bass é representado pelo Drumagick e pelo criador do evento, Carlos Slinger.Toda essa trupe, que vai tocar de graça no evento, será dividida em três arenas, mais exatamente duas tendas e um palco flutuante em um lago. Uma tenda abrigará o house, tecno e trance. A segunda recebe o hip-hop, jungle e drum´n´bass. E no palco sobre o lago acontecerão os shows ao vivo. Haverá uma área de chill-out, com redes e esteiras de palha, e a tenda Woodstick (criada por Carlos Slinger, depois do que viu no Woodstock de 94), onde qualquer artista terá a oportunidade de apresentar seu trabalho.O festival ainda abrirá espaço para as ONGs, que darão palestras e workshops, sobre desmatamento, artesanato e música na região.Integração - Para cordenar essa superestrutura, o Greenpeace, depois de experiências com U2 e Midnight Oil, tomou as rédeas da divulgação. Dentro do site www.greenpeace.org.br, um link leva ao endereço www.ecosystem1.org, com a programação do evento, dicas para hospedagem, transportes e procedimentos para obtenção do visto brasileiro.A organização fornece a assessoria ecológica, determinando até materiais que devem ser evitados, e indicando outros, como as tendas, que serão feitas de madeira certificada pelo FSC - selo que garante que a madeira foi extraída de forma legal, e serão inspiradas nas ocas dos Ianomâmi."Queremos evitar qualquer tipo de poluição", explica Rebeca Lerer, representante do Greenpeace, que já está lá preparando a estrutura de transportes públicos e coleta de lixo. "A intenção é integrar as pessoas e a natureza, com o menor impacto possível." Para a coordenadora, atingir os jovens é fundamental . "Temos de conscientizar aqueles que estarão no comando da sociedade." Mas ela acredita que o evento também será favorável para os rumos da música eletrônica. "O local dará acesso ao que há de ponta no estilo." O criador da Ecosystem 1.0, Carlos Slinger (conhecido como DJ Soul Slinger), radicado em Nova York, é o responsável por reunir esse time de grandes nomes do cenário eletrônico e será uma das grandes atrações do festival. Para o DJ, os brasileiros estão equiparados aos outros DJs, quando o assunto é música. "No século 21, estamos de igual para igual, basta um computador carregado de good stuff." Renato Cohen, que leva o tecno para as picapes na floresta, acredita que a conscientização ecológica e a música eletrônica estão no mesmo caminho. "Ambas são um modo de unir as pessoas."

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