Raul de Barros toca em orquestra de gafieira

Volta e meia junta-se um grupo de instrumentistas com o objetivo de recuperar o som das orquestras de gafieira. Aquela sonoridade que Severino Araújo mantém ainda hoje - é dele a última orquestra do gênero. Para citar dois exemplos desse empenho em resgatar o estilo: no fim dos anos 90, o percussionista Chico Batera montou a sua orquestra, e um pouco antes dele o clarinetista Proveta havia criado a Banda Mantiqueira. Cada uma dessas iniciativas contemporâneas - e também, de certa forma, a orquestra de Severino Araújo - presta homenagem a uma grande personalidade da música brasileira. Sim, som da bandas dos salões de dança tem um inventor. Transferindo a responsabilidade da afirmativa para um especialista, o compositor Elton Medeiros: "Um homem é responsável pelo surgimento da média e da grande orquestra nessas casas de diversão e, conseqüentemente, pelo salto de qualidade dos arranjos e dos grupos musicais ali existentes. Seu nome: Raul de Barros." E Raul de Barros é a atração do fim de semana do projeto Ilustres e Desconhecidos, do Sesc Pompéia. Toca, à frente de 12 músicos - uma orquestra média, portanto -, amanhã e domingo. Na regência da orquestra, o maestro Laércio de Freitas. A produção do espetáculo recuperou partituras originais - Raul de Barros montou sua primeira orquestra em 1950, na Rádio Nacional. O crooner era Cauby Peixoto. Aos 88 anos, Raul de Barros continua tirando do trombone o som limpo, gingado, alegre, brilhante de sua marca registrada. Dando outra vez a palavra a Elton Medeiros: "Extrovertido e brincalhão, Raul dá vazão a esse temperamento através do trombone, pois sempre foi um grande improvisador, esbanjando frases musicais surpreendentemente alegres. Até mesmo em suas composições essa alegria se faz presente, como, por exemplo, nos choros Na Glória e Pororó-Pororó." Ele começou a carreira em 1935, nas gafieiras (que existiam desde a metade do século anterior) dos subúrbios cariocas; de instrumentista passou a líder, gravou quase 50 discos, viajou mundo. Tocou com Louis Armstrong, no Festival de Arte Negra do Senegal, nos anos 50, participou das orquestras dos grandes festivais da canção. Ganhou, de Orlando Silveira, o título de Rei da Gafieira. O Teatro do Sesc Pompéia foi adaptado para receber Raul, Laércio e banda. O palco da orquestra foi montado sobre as cadeiras do setor esquerdo da casa e o palco fixo vai servir de pista de dança. Como convidada especial, uma cantora que é do gênero - cantora veterana de gafieiras, Dona Inah (que, aliás, lança disco novo, Divino Samba Meu, no próximo fim de semana, no Supremo Musical). No repertório, só clássicos dançantes: Na Glória (de Raul e Ary dos Santos), Doce de Coco (Jacó do Bandolim), Ela Disse-me Assim (Lupicínio Rodrigues), Piston de Gafieira (Billy Blanco), Beguin the Beguine (Cole Porter), Copacabana (Alberto Ribeiro e Braguinha - e assim por diante.a href=http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/05/23/cad037.htmlServiço - Chico Pinheiro. Quinta e sexta, às 22 horas. R$ 25. Supremo Musical. Rua Oscar Freire, 1.000, tel. 3062-0950. Até 29/5 - Elba Ramalho, Daniela Mercury e Margareth Menezes. Domingo, às 18 horas. Entrada franca. Praça da Paz ? Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, tel. 0800-115060. Patrocínio: Grupo Pão de Açúcar - Jorge Simas. Sexta e sábado, às 22 horas. R$ 15. Villaggio Café. Praça Dom Orione, 298, tel. 251-3730. Até amanhã - Moacyr Luz. Sábado, a partir das 16 horas. R$ 10 (couv. art.). Traço de União. Rua Joaquim Floriano, 503 - Ney Matogrosso. Sexta e sábado, às 22 horas. De R$ 30 a R$ 70. Estudantes pagam meia-entrada. Tom Brasil ? Nações Unidas. Rua Bragança Paulista, 1.281, tel. 5644-9800. Até amanhã - Raul de Barros. Sábado, às 21 horas; e domingo, às 18h30. De R$ 7,50 a R$ 15. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.