NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Rashid lança primeiro disco e resgata suas raízes no rap

‘A Coragem da Luz’ propõe o encontro das vivências do rapper no campo em Minas Gerais e em São Paulo

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2016 | 05h00

Nas manhãs de sábado, em Ijaci, pequenina cidade mineira nas proximidades de Lavras, a rádio local faz soar canções sertanejas, gospels e do rapper paulistano Rashid. Dona Vitória, de 50 anos, comanda a programação e inclui, com orgulho, as canções que integram quatro mixtapes do filho, Michel Dias Costa, que assume o nome artístico quando sobe no palco – e passa a representar não só ele, mas como toda a sua equipe de 13 outras pessoas. 

Rashid deu à mãe, à população da cidade onde viveu dos 13 aos 17 anos, mais um motivo para se orgulhar. Lançou, enfim, seu primeiro disco, A Coragem da Luz, um álbum que resgata as memórias de seus dias “na roça”, como ele mesmo diz. Elas se mostram no disco, de forma direta, em referências nas suas rimas, ou na formação de caráter do jovem de 28 anos e no modo como ele encara o mundo. Lá, conviveu com outros garotos que consumiam rap, mesmo que a informação demorasse para subir a serra onde eles viviam, trabalhou como boia-fria, para ajudar a mãe, em cafezais da região. 

O disco, independente, tem o lançamento oficial marcado para a noite deste sábado, dia 9, no Auditório Ibirapuera, com ingressos esgotados. Izzy Gordon e Srta Paola participam da performance. 

Deixar São Paulo, o bairro em que morou a vida inteira, o Lauzane, na zona norte, teve um impacto profundo no garoto. Rashid, que é conhecido no universo do hip-hop pelo lema “foco na missão”, perseverou. Voltou para a cidade grande e construiu a carreira e reputação como se deve: impressionando os veteranos durante as batalhas de MC’s espalhadas pela cidade. É garoto, mais jovem que essa geração que tem Criolo (que participa do disco na música O Homem do Mundo) e Emicida como seus grandes nomes, mas se distingue pela positividade que irradia em suas canções. Ele se junta a eles na elite dos rappers que têm conseguido colocar o gênero como parte importante da música popular brasileira. 

A Coragem da Luz flerta em alguns momentos com ritmos distintos, mas não foge por muito tempo do peso e da batida do rap. “Fui à casa do Criolo e, enquanto falávamos de música, ele colocou discos de afrobeat”, explica Rashid. Ele conta que absorveu outras influências assim como a banda que o acompanha (e integra o “a gente” que ele diz, quando se refere ao Rashid como grupo) na gravação do disco e nos giros pelo País. 

Há canções com rimas raivosas, mas Rashid se distingue pela luz. Quando versa de amor, da sua história. “As pessoas mudam de humor e vontade ao longo do dia”, ele diz. “Chega ao trabalho estressado, depois vai encontrar a namorada e fica feliz. Ouvi muita gente brigando sobre o que é ou o que não é rap. Eu quero fazer música que seja companheira das pessoas.” Em São Paulo ou em Ijaci. 

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