Rapper sionista faz sucesso e polêmica em Israel

O mais recente sucesso da música israelense vem, como em outras tantas partes do mundo, do hip hop. Lá, porém, o fenômeno aparece cercado de polêmica. Isso porque o novo rei do gênero é um rapper sionista identificado com a direita israelense e acusado de pregar contra palestinos. Suas letras, contudo, não explicitam o alvo de seus protestos - o que condiz com seu codinome, Subliminal ("subliminar").Subliminal forma dupla com Shadow ("Sombra"). Suas músicas levam nomes como We Came to Expel the Darkness ("viemos para expulsar a escuridão"), Divide and Conquer, ("dividir e conquistar") e My Land ("minha terra") e não é difícil reconhecer referências aos palestinos e à batalha travada na região. Conforme Subliminal (nascido Kobi Shimoni), as letras falam de como os israelenses não devem jamais se dividir outra vez. "Somente unidos vamos conseguir sobreviver e manter Israel. O que há de errado com isso?", diz o rapper.O que há de errado com isso, conforme seus detratores, é que suas letras podem prestar-se à intolerância, quando oferecidas a jovens confusos com o peso histórico da disputa, indecisos quanto à identidade israelense e ainda aterrorizados por atentados, cercos e barricadas. A eles, o rapper de 24 anos, um ex-soldado de Israel filho de imigrantes da Tunísia e Irã, diz que está levando apenas orgulho e uma dose de realidade.Desde que seu álbum virou hit local, com 54 mil cópias vendidas, a polêmica instalou-se entre os pais de adolescentes e chegou à imprensa. Subliminar e Sombra já foram banidos de muitas casas e têm recebido críticas pesadas. Auto-declarado membro da direita israelense, Subliminal é um ex-soldado cuja família, diz, apoiava os esforços de paz empreendidos por Ehud Barak, que fracassaram. Três anos consecutivos de violência o convenceram que negociar não funciona.Embora não dê mais detalhes de sua posição política, é latente sua censura aos palestinos e a convicção na força como única saída. O rapper exemplifica com um briga entre dois malandros de bairro. "Se há um confito entre eles, eles vão se enfrentar e se bater até que um quase mate o outro. E não brigarão mais", acredita.

Agencia Estado,

05 de dezembro de 2003 | 14h06

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